Como estrangeiro no Brasil, sinto muito que serei sempre um "peixe fora da água". Não tenho um “RG” mas um “RNE”—Registro Nacional de Estrangeiro”. Esse meu "visto permanente" me identifica como “estranho” em todos os sentidos: além de ser uma cor esquisita (laranja), sempre me identifica como alguém permanentemente carimbado como "diferente". Não importa quanto eu me esforce, nunca ficarei completamente contextualizado. Não gosto quando pessoas olham para minha roupa camisa xadrez com bermuda amarela e meia branca e logo dizem "eis aí, mais um gringo". Odeio quando pessoas perguntam logo depois de conversarmos alguns minutinhos: "Você não é daqui, né?"
Ninguém gosta de ser diferente. Há forte pressão para se conformar... Mas ao mesmo tempo uma tensão por saber que nunca serei igual aos outros. No meu caso, estou no Brasil sem ser totalmente do Brasil. Como crentes em Cristo Jesus, sofremos uma outra tensão: a de sermos conformados com a imagem de Jesus (Rm 8.29) e não conformados com o mundo (Rm 12.1,2), mas ao mesmo tempo, ser tudo para todos para ganhar alguns (1 Co 9.22).