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quarta-feira, 22 de maio de 2013

A Igreja Sempre Perseguida

Por Thomas Tronco

“E Saulo consentia na sua morte. Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judeia e Samaria. Alguns homens piedosos sepultaram Estêvão e fizeram grande pranto sobre ele. Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere” (At 8.1-3).

O texto acima descreve a primeira perseguição severa contra a igreja cristã. Por um lado, o ódio do mundo
contra a igreja era esperado, já que ele prenunciado por Jesus: “Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros” (Jo 15.20a). Por outro lado, é bem possível que os irmãos de Jerusalém tenham se surpreendido com a mudança brusca de sentimento e de tratamento da sociedade dos seus dias. Isso porque o início da igreja foi marcado pelo sentimento de simpatia da comunidade judaica: “Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo” (At 2.46,47a).

Talvez aqueles irmãos se perguntassem: “O que mudou?”. A resposta é encontrada no sexto capítulo de Atos: “Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. Levantaram-se, porém, alguns dos que eram da sinagoga chamada dos Libertos, dos cireneus, dos alexandrinos e dos da Cilícia e Ásia, e discutiam com Estêvão; e não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava” (At 6.8-10). A pregação do Evangelho, o testemunho de vida e a sabedoria de Deus para responder às acusações fizeram de Estêvão e dos demais crentes pessoas odiadas pelos inimigos de Deus. O resultado foi o apedrejamento do diácono de Jerusalém e o início de uma acirrada perseguição a todos quantos professassem Jesus Cristo como Deus e salvador pessoal. A partir daí, o texto escrito por Lucas revela uma dinâmica que atravessa a história da igreja de Deus.

Em primeiro lugar, o mundo persegue a igreja com grande ódio. O capítulo 7 de Atos narra o julgamento e a morte de Estêvão, enquanto o início do oitavo capítulo revela a aprovação de Saulo, conhecido depois da sua conversão como apóstolo Paulo. Sua aprovação talvez se devesse à possibilidade de que ele mesmo, como um dos que vieram da Cilícia (At 6.9), ter sido contradito e envergonhado pela pregação do diácono mártir. Mas se fosse somente por isso, assim que o adversário estivesse morto todo ódio devia cessar, o que nem de perto ocorreu. Na verdade, uma severa perseguição tomou lugar em Jerusalém (At 8.1) e nem mesmo os lares ou seus direitos básicos dos crentes eram respeitados (At 8.3). Com o passar dos dias, o ódio não apaziguado tomou formas mais decididas e cruéis, inclusive em Paulo: “E assim procedi em Jerusalém. Havendo eu recebido autorização dos principais sacerdotes encerrei muitos dos santos nas prisões; e contra estes dava o meu voto, quando os matavam. Muitas vezes, os castiguei por todas as sinagogas, obrigando-os até a blasfemar. E, demasiadamente enfurecido contra eles, mesmo por cidades estranhas os perseguia” (At 26.10,11).

Em segundo lugar, independente do que sinta ou faça o mundo, Deus mantém sua igreja viva e operante. Apesar de a igreja ter respondido à perseguição com uma fuga maciça, nem todos fugiram de Jerusalém, pois os apóstolos permaneceram na cidade e vários irmãos permaneceram na própria região da Judeia. O fato de os líderes da igreja não terem sido exterminados, mesmo estando tão perto dos perseguidores, não se deve a nenhum tipo de imunidade diplomática. Na verdade, eles deveriam ser alvos prioritários dos inimigos e o fato de isso não ter ocorrido revela a proteção de Deus para eles e para as pessoas que foram sendo acrescentadas à igreja daí para frente por meio da fé em Jesus, já que o próprio Paulo revela a existência de várias igrejas na região (Gl 1.22-24). Esse fato surpreendente, apesar de não ser declarado abertamente por Lucas em Atos, é interpretado por meio das palavras de Jesus como uma ação divina: “Edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18).

Por último, também percebemos que o Senhor expande a igreja por meio da perseguição. Há quem olhe para perseguições assim e, cheio de autocomiseração, lamente a má sorte do povo de Deus. Porém, o que ocorreu foi que, tendo de fugir, os crentes foram se radicando em cidades em que passaram a pregar o Evangelho, pelo qual o Senhor salvou pecadores que estavam fora do alcance da pregação antes da perseguição: “Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra” (At 8.4). Com isso, o avanço das boas novas da salvação tomou um caráter definitivo e oficial que foi fruto de uma profunda transformação da visão e da prática da igreja já estabelecida: “Ouvindo os apóstolos, que estavam em Jerusalém, que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João” (At 8.14). Desse modo, o Senhor, por um meio misterioso para os crentes daqueles dias — a morte de um líder e a perseguição feroz da igreja —, alcançou pessoas perdidas de todas as partes e amoldou o seu povo ao propósito missionário que traçou para ele. Resumindo, quanto mais a igreja era caçada, mais ela crescia e alcançava novos territórios.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Duas dicas sábias para alunos inteligentes

Por T. Zambelli

Minha maior motivação em escrever este artigo é poder ajudar os alunos inteligentes a serem também alunos sábios. Talvez nem todos, à priori, percebem que existe uma diferença entre sabedoria e inteligência.

Enquanto inteligência é a capacidade de lidar com diferentes níveis de problemas, sabedoria é a habilidade para lidar de forma prática as dificuldades reais do cotidiano. Enquanto uma pessoa inteligente enxerga a solução de um problema matemático/lógico, a pessoa sábia prevê situações baseada em seu conhecimento e suas experiências do dia a dia. Enquanto uma pessoa inteligente é dotada de informações históricas sobre um dado assunto, a pessoa sábia aplica a história no presente e planeja o futuro. Enquanto o inteligente garante boas notas na escola, o sábio administra seu tempo de estudo e lazer com objetivos que vão além de um boletim escolar.

Enfim, inteligência e sabedoria não são a mesma coisa, no entanto, é fato que ambas se comunicam e permutam significados. 



Ao observar a Palavra de Deus, quais são os exemplos de pessoas inteligentes que você se recorda?

Apolo é alguém que rapidamente me vem à mente. Acredito que ele é um exemplo indubitável de pessoa inteligente, veja:

Enquanto isso, um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, chegou a Éfeso. Ele era homem culto e tinha grande conhecimento das Escrituras. Fora instruído no caminho do Senhor e com grande fervor falava e ensinava com exatidão acerca de Jesus, embora conhecesse apenas o batismo de João (Atos 18.24-25).

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Quanto Apolo sabia sobre Jesus?

Por Thiago Zambelli


Nenhuma passagem bíblica fala mais e melhor sobre um homem chamado Apolo do que Atos 18.24-28:


Enquanto isso, um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, chegou a Éfeso. Ele era homem culto e tinha grande conhecimento das Escrituras. Fora instruído no caminho do Senhor e com grande fervor falava e ensinava com exatidão acerca de Jesus, embora conhecesse apenas o batismo de João. Logo começou a falar corajosamente na sinagoga. Quando Priscila e Áqüila o ouviram, convidaram-no para ir à sua casa e lhe explicaram com mais exatidão o caminho de Deus. Querendo ele ir para a Acaia, os irmãos o encorajaram e escreveram aos discípulos que o recebessem. Ao chegar, ele auxiliou muito os que pela graça haviam crido, pois refutava vigorosamente os judeus em debate público, provando pelas Escrituras que Jesus é o Cristo.


Apolo, o judeu de nome grego, nasceu numa cidade intelectualizada, conhecia as Escrituras (Antigo Testamento), havia sido catequizado no caminho do Senhor e falava com destaque e precisão sobre Jesus. Depois de destacar sua origem, ensino e qualidade intelectual, Lucas (autor de Atos), diz: embora conhecesse apenas o batismo de João.

Essa frase, apesar de curta, diz muito. Ela ainda é motivo para longos diálogos que descorrem baseado na pergunta: “quanto Apolo sabia sobre Jesus?”

Espero, com esta breve pesquisa, conduzir o leitor a uma melhor compreensão sobre o que Apolo realmente conhecia sobre Jesus. Como método, transcrevo o que comentaristas escreveram sobre esta passagem, seguida de minha consideração final sobre o assunto.

>> Continue a leitura em Todah Elohim (Clique aqui)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Riscos de uma superficialidade bíblica

Por T. Zambelli
Baseado no sermão "O risco da superficialidade teológica" por Carlos Osvaldo Pinto (04/07/2010 - IBCU).


Em 2008, depois de um artigo que li na revista ULTIMATO (mar/abril), fui incentivado a pesquisar um pouco mais sobre o que Deus deseja de Sua criatura quanto a sã doutrina. Naquele artigo, a autora enfatizava as palavras de Peter Meiderlin, teólogo luterano da cidade de Augsburg, na Alemanha. No término de um livrete, que descreve um sonho que ele teve, estão as palavras: "No essencial, unidade; no secundário, liberdade; e acima de tudo, o amor."

Tais palavras são sofisticadas, mas não creio serem verdadeiras. Refiro-me ao que a frase indica como essencial. Costumo dizer que essencial "é tudo aquilo que sem o qual não o é." Em outras palavras, é tudo aquilo que faz parte da essência da identidade de algo ou alguém. Você consegue imaginar um gato sem quatro patas? Uma tartaruga sem o casco? Uma casa sem um teto? Todos estes são elementos essenciais destes objetos. Não os imaginamos sem eles.

A UNIDADE sempre fez parte do desejo de Deus, mas sempre foi dependente da VERDADE. Israel tinha como base ser um povo sujeito ao único Deus e não havia como unir neste grupo aqueles que ainda gostariam de dizer e viver o contrário disso. O "hino" de Israel sempre foi claro: Ouça, ó Israel: O SENHOR, o nosso Deus, é o único SENHOR (Dt 6.4). A igreja igualmente deve viver numa unidade que reflete o nosso triúno Deus. O apóstolo Paulo orava por isso: O Deus que concede perseverança e ânimo dê-lhes um espírito de unidade, segundo Cristo Jesus, para que com um só coração e uma só voz vocês glorifiquem ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 15.5-6).

Para que a unidade seja genuína, para que o coração da igreja glorifique a Deus, é necessário conhecer o que Ele quer que sejamos, tenhamos, façamos, pensamos, etc. É necessário conhecê-lo e indubitavelmente, a melhor forma é através da Bíblia. Somente seremos capazes de nos unir, se o fundamento for a verdade. Ninguém conhecerá a verdade se não for através da Palavra de Deus.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Atos 18.18-28 Comentário Popular

 Por Thiago Zambelli




O comentário abaixo pode ser visto e baixado em PDF (Clique).


18 Paulo permaneceu em Corinto por algum tempo. Depois despediu-se dos irmãos e navegou para a Síria, acompanhado de Priscila e Áqüila. Antes de embarcar, rapou a cabeça em Cencréia, devido a um voto que havia feito.
Paulo permaneceu em Corinto por um ano e meio, durante sua segunda viagem missionária (18.11). Despediu-se dos irmãos e partiu para Cencréia, porto no istmo[1] de Corinto, junto de Priscila e Áquila. Em Cencréia, onde também havia uma igreja (Rm 16.1), Paulo rapou a cabeça devido um voto que fizera. Seu destino final era a Síria, onde estava a igreja de Antioquia, ponto de partida de suas três primeiras viagens.
Sobre o voto: apesar de ser gramaticalmente possível que tenha sido Áquila quem fez o voto, o contexto não o permite. A Bíblia nos fala sobre vários votos.  Jacó fez um voto (barganha), Absalão, Jefté, Ana e outros fizeram. Moisés escreveu várias leis relativas a votos. O voto de nazireu (Nm 6), por exemplo, possivelmente o mais conhecido deles, levava o israelita a se abster de vários líquidos e alguns alimentos. Impedia-o de estar na presença de cadáveres e o obrigava a deixar o cabelo crescer, para depois ser raspado e queimado no devido local, na entrada da Tenda do Encontro (Nm 6.18). Alguns comentaristas como John Gill, Matthew Henry, João Calvino e até mesmo o escritor de um comentário católico[2] creem que Paulo fez o voto de Nazireu, mas como alguém ciente que era livre da Lei. Por outro lado, em outros comentários encontramos outro ponto de vista: Vincent’s  Word Studies, New People’s Testament, Robertson Word Pictures, Jamieson, Fausset and Brown Commentary,[3] que dizem ser improvável (ou pouco provável) que fosse o voto de nazireu em função do requerimento da Lei dele ter de ser feito em Jerusalém. Ademais, alegam que este voto, de rapar a cabeça, era comum entre os judeus e gentios como sinal de agradecimento por livramentos. [4]
 
Para não deixar minha opinião em branco, faço minhas as palavras do autor de New People’s Testament:
“O porquê de ele ter feito o voto, por quanto tempo, e o que rapar a cabeça tem a ver com isso são questões de conjectura. O voto de nazireu requeria o rapar da cabeça em Jerusalém e o cabelo cortado oferecido no templo. Este não podia ser o voto de nazireu.”

Contra este argumento, todavia, John Stott, favor do ponto de vista que Paulo fez um voto de nazireu, diz que ele poderia cortar o cabelo e ser depois oferecido em Jerusalém e por isso o motivo da aparente pressa de Paulo nos vv.20-21.[5] Ademais, tanto Stott como alguns outros a favor deste ponto de vista, dizem que ele fez isso para alcançá-los com o Evangelho (cf. 1Co 9.20). Pessoalmente, não acredito que, à luz do texto de Números 6, este pudesse ser um voto de Nazireu, como já dito supra. Ainda assim, numa coisa parece que os comentaristas concordam: Paulo não fez o voto por legalismo.