quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Ser calvinista é ser reformado?

Por Isac Sicsú

Admito. Sou um teólogo que gosta bastante de definições, categorias e classes – aquilo que chamamos de taxonomia. Me perdoe o neologismo, mas sou quase um “taxonomólatra”. Gosto de ter meu pensamento teológico bem definido e bem classificado. Prefiro me referir ao “Arianismo”, do que falar genericamente de “um movimento teológico que afirma que Cristo não era plenamente divino, mas apenas a primeira criação do Pai”. Acho mais simples, mais rápido e economiza espaço.

Porém, nem tudo é “preto no branco” quando categorizamos o pensamento teológico. Muitas vezes, as definições acabam sobrepondo-se umas às outras. Por exemplo, quando falamos da Doutrina da Circunsessão, não necessariamente falamos da Pericoresis, apesar de geralmente serem conceitos tratados como sinônimos.

Um outro exemplo deste entrelaçamento categórico é a atribuição do termo “Reformado” ao teólogo calvinista e vice-versa. Graças a explosão dos ministérios de teólogos como John Piper, John MacArthur, Mark Driscoll, Mark Denver, C.J. Mahaney, e a turma do Gospel Coalition no EUA; bem como, Augustus Nicodemus, Mauro Meister e a turma da Editora Fiel no Brasil, convencionou-se classificar como “Reformado” aqueles que afirmam uma soteriologia calvinista. Desta forma, os termos “Reformado” e “Calvinista” são atualmente sinônimos.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Uma vida santa

Por Ivis Fernandes

Tenho um filho pequeno, que recentemente parou de usar fraldas. Logo terei mais um bebê, e o processo diário de trocar fraldas se iniciará novamente. Todos aqueles que são pais devem se lembrar bem deste “trabalho sujo”: é preciso retirar as fraldas recheadas, limpar a criança e então colocar uma fralda limpa. É assim que se mantém uma criança limpa e cheirosa.

Talvez você não goste muito da comparação, mas somos como bebês com a fralda suja. E todos nós precisamos participar de um processo constante de “limpeza espiritual” para termos a sujeira do pecado removida de nossas vidas. Todo este processo está diretamente ligado ao entendimento que possuímos da verdade das Escrituras. Vejamos o que o apóstolo Paulo nos ensina sobre isso em Efésios: 

Efésios 4.17-24: 17- Assim, eu lhes digo, e no Senhor insisto, que não vivam mais como os gentios, que vivem na inutilidade dos seus pensamentos. 18-Eles estão obscurecidos no entendimento e separados da vida de Deus por causa da ignorância em que estão, devido ao endurecimento do seu coração. 19-Tendo perdido toda a sensibilidade, eles se entregaram à depravação, cometendo com avidez toda espécie de impureza. 20-Todavia, não foi isso que vocês aprenderam de Cristo. 21-De fato, vocês ouviram falar dele, e nele foram ensinados de acordo com a verdade que está em Jesus. 22-Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despirse do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, 23-a serem renovados no modo de pensar e 24-a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade.

 Este processo envolve duas atitudes:
1. Deixar o estilo de vida passado, que se baseia na mentira.
2. Desenvolver um estilo de vida novo, baseado na verdade.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O ‘Outro Deus’ do Teísmo Aberto

Por Thomas Tronco

O recente tsunami no Japão mais uma vez levantou a questão: onde estava Deus na hora da tragédia? Essa pergunta ecoa todas as vezes em que tragédias ocorrem. Se estoura uma guerra, “onde estava Deus que não a impediu?”. Se barrancos desabam sobre as casas, “por que Deus permitiu tal coisa?”. Se um terremoto devasta uma região ou até um país, “como pode um Deus bom existir se coisas ruins acontecem?”.

A questão é antiga. O profeta Habacuque se viu diante desse dilema. Os israelitas estavam sob o prenunciado juízo de Deus. O Senhor, que durante séculos avisou, repreendeu e aguardou com paciência pelo arrependimento do povo, finalmente enviou a eles a devida consequência do seu pecado. Entretanto, o fez pelas mãos de um povo cruel que agiu com injustiça. Assim eles são descritos: “Pois eis que suscito os caldeus, nação amarga e impetuosa [...] Eles são pavorosos e terríveis, e criam eles mesmos o seu direito e a sua dignidade” (Hc 1.6,7). Se essa descrição não deixa claro que o “direito” e a “dignidade” que os babilônicos criavam eram bem “questionáveis”, o v.9 arremata a questão afirmando: “Eles todos vêm para fazer violência”. Diante disso, a pergunta de Habacuque a Deus soa de maneira muito natural aos olhos humanos: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar; por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele?” (Hc 1.13).

O medo de Habacuque, ao que parece, era notar que Deus não era tão amoroso ou justo como ele sabia ser. Era um “nó” que não se desatava na mente do profeta. Era a tensão entre aquilo que ele cria e aquilo que ele via. E ele não foi o único a questionar o Senhor diante do sofrimento. Jó, muito tempo antes, ao sofrer com os ataques de satanás que lhe custaram os bens, os filhos e, finalmente, a saúde, também se viu diante do mesmo dilema.. Discordando da ideia de que sua calamidade seria uma punição, diz Jó a Deus: “Tens tu olhos de carne? Acaso, vês tu como vê o homem? São os teus dias como os dias do mortal? Ou são os teus anos como os anos de um homem, para te informares da minha iniquidade e averiguares o meu pecado? Bem sabes tu que eu não sou culpado; todavia, ninguém há que me livre da tua mão” (Jó 10.4-7). O receio de Jó é sofrer um tratamento da parte de Deus sob critérios imperfeitos comuns nos homens e não em um Deus sábio e justo.

Essa “aparente” injustiça e falta de amor sempre exigiu uma resposta e os servos do Senhor sempre se esmeraram em oferecê-la de modo a preservar a perfeição, a santidade e a bondade do Senhor como descritas nas Escrituras.. Esse tipo de defesa recebe o nome de teodiceia.. Muitos foram os homens que se renderam a isso. Como, com o passar do tempo, as tragédias não deixaram de existir, ainda hoje há pessoas que tratam a questão e defendem que, mesmo diante das maiores catástrofes, o Senhor eterno é Deus santo e bom. Contudo, nos últimos tempos, alguns autonomeados “advogados” do Senhor criaram um tipo de defesa “às avessas”. Em lugar de afirmarem, como os defensores do passado, que, ainda que Deus tome decisões duras, elas fazem parte de um plano bom daquele que é perfeito e soberano, tais rábulas dizem que Deus não é culpado pelas tragédias simplesmente porque “nada teve a ver com elas”.. Dizem que ele não as orquestrou e que nem sequer sabia que aconteceriam.. Defendem que, caso soubesse, certamente as evitaria. Para eles, somente assim agiria um Deus que é bom e amoroso.. Esse tipo de argumentação recebeu o nome, no meio teológico e eclesiástico, de “teísmo aberto”.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Os benefícios do perdão de Deus (Salmo 85)

Por Thomas Tronco

Ouvi alguém dizer muito tempo atrás: “Eu não faço declaração de Imposto de Renda, pois ganho meu dinheiro com muito suor e não quero dá-lo ao governo. A corrupção de muitos políticos é tão grande que meu dinheiro sai da minha conta e vai quase direto para as contas deles”. Apesar de parte dessa afirmação refletir certa realidade do nosso país, tentei alertá-lo quanto aos riscos que ele corria e quanto às sanções que sofreria, mas nada o demoveu da sua posição. Até que ele quis fazer um financiamento para abrir um negócio e adquirir um veículo. Um dos primeiros documentos requeridos para esses financiamentos era a Declaração de Renda, a qual, obviamente, ele não tinha. Foi preciso buscar a Receita Federal, entrar em acordo em relação à dívida e buscar um modo de ser perdoado das multas geradas pelas infrações fiscais. Somente quando tudo isso foi resolvido, os benefícios da condição regularizada puderam ser usufruídos.

Esse não é o único benefício da regularização de uma condição corrompida. O Salmo 85, escrito pelos filhos de Corá, foi composto em meio a uma possível opressão nacional por povos inimigos, mas certamente em meio a uma terrível seca. Os males, quaisquer que sejam, que recaíram sobre o povo de Israel são interpretados pelo salmista como consequência de pecados do próprio povo, de modo que deveriam buscar o perdão de Deus. Nesse sentido, o salmista dá o exemplo a fim de que seus irmãos façam o mesmo (v.4). Olhando para a situação de Israel nesse salmo, é possível notar que perdão de Deus é uma bênção fantástica pela qual seus servos devem sempre agradecer. Entretanto, o perdão em si não é o único benefício do arrependimento de pecados. Quando o servo de Deus é perdoado pelo misericordioso Senhor Todo-poderoso, outros benefícios são promovidos e aparecem nesse salmo. Assim, o texto é tanto uma lição sobre a remissão divina como um inigualável encorajamento para o arrependimento verdadeiro e um coração contrito.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Catolicismo, Salvação e Bíblia

Tiago Neves mostra ensinos da igreja católica romana.

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Ou clique aqui: Heresias do Cristianismo

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Eu preciso me arrepender para ser salvo?

Por T. Zambelli

Não precisamos gastar muitas linhas para oferecer a correta resposta à pergunta: "eu preciso me arrepender para ser salvo?" Sim é a verdadeira e correta resposta, no entanto, outra pergunta precisa ser feita:

"preciso me arrepender do quê?"

Mourners' bench
No início do século passado, nas igrejas americanas, havia muitos bancos colocados próximos do púlpito para pessoas lamentar por seus pecados e ali, entregarem suas vidas a Cristo. Hoje, muitos cristãos semelhantemente a estes que usavam os mourners' bench (banco dos pranteadores), consideram que o lamento ou tristeza são expressões essenciais de um genuíno arrependimento. Entretanto, o conceito bíblico de arrependimento não se refere às emoções como parte do significado básico, ou fundamental, mas a uma mudança de paradigma, de mentalidade, direção, de ideia. Lamentar-se ou entristecer-se pode ou não incorporar um genuíno arrependimento, mas o fato é que nem lamentar, nem entristecer fazem parte do verdadeiro significado de arrependimento.

Quando falamos sobre arrependimento no contexto soteriológico (de salvação) não faltam perguntas, tais como: "qual a relação de arrependimento e salvação?" "O arrependimento deve proceder a salvação?" "O arrependimento é sinônimo de fé?" "Alguém pode ser salvo sem se arrepender?" "O que significa arrepender-se?" Que essas e outras parecidas perguntas não sejam problemas para você depois de lido este artigo, praticamente um resumo do capítulo "Repent! About What?" do livro So Great Salvation, de Charles Ryrie.

Significado Genérico

Em primeiro lugar é muito importante que entendamos que várias palavras ou expressões na Bíblia possuem um significado genérico ou básico, uma ideia primária. Por exemplo a palavra "salvação", que significa resgatar ou salvar. Se você quer entender o texto onde a palavra salvação está inserida, então você deve se perguntar: "salvar ou resgatar do quê?" Em Filipenses 1.19 Paulo usa esta palavra não para se referir à salvação da condenação eterna, mas do encarceramento que ele ali participava: Porque sei que isto me resultará em salvação, pela vossa súplica e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo. Claro, em outras passagens Paulo usa esta mesma palavra para falar da exclusiva salvação eterna em Cristo, por exemplo: E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos (Atos 4.12). É necessário perceber que nem todas as aparições da palavra salvação no texto bíblico refere-se à salvação da condenação eterna.

O mesmo princípio se aplica à palavra "resgate", que significa basicamente comprar alguma coisa. Leia o texto de Mt 13.44 e se pergunte: "resgatar o que ou de quê?" O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo, que um homem, ao descobrí-lo, esconde; então, movido de gozo, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo (Mt 13.44). Neste texto o resgate, a compra, é de um campo. Mas no texto de Pedro signfica o pagamento que o Salvador Jesus Cristo fez quando morreu: estes [falsos profetas e mestres] introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição (2Pe 2.1) .

Da mesma forma, a palavra "arrependimento" possui um significado básico: mudar de ideia (paradigma, atitude, mentalidade). E para compreender a que tipo de arrependimento o texto bíblico se refere, precisamos perguntar: "sobre o que devemos mudar de ideia?"

Vejamos alguns usos da palavra "arrependimento" para melhor compreensão.