domingo, 28 de abril de 2013

Deuteronômio: Escrito de Moisés ou uma fraude piedosa?

Por Tiago Abdalla T. Neto

Determinar a autoria e o Sitz im Leben do Deuteronômio é desafiador, desde que a erudição bíblica vem propondo diversas possibilidades para a origem do livro. Sugestões que remontam à época de Moisés até o período pós-exílico são feitas e não se chega a um consenso geral. Portanto, faz-se necessária a exposição das várias propostas de datação do livro e uma conclusão sobre aquela que mais adequadamente faz jus ao texto.

Em 1805, W. M. L. de Wette propôs que o Deuteronômio provinha de uma fonte à parte do restante do Pentateuco, cuja origem se deu no século VII a.C., pouco antes do reinado de Josias. Mais adiante, tal tese fora sustentada por K. A. Riehm e, então, desenvolvida, estabelecida e popularizada entre os eruditos por Julius Wellhausen, em 1876, o qual via a composição do livro por profetas da época de Josias que o esconderam no templo para, em seguida, ser “achado” e dar impulsão à reforma promovida pelo rei, legitimando a adoração central em Jerusalém. Apesar de ser contestada por vários estudiosos, a proposta de uma autoria não mosaica para o livro, dentro do século VII, continua a receber o apoio maior da academia teológica.

sábado, 27 de abril de 2013

Nem demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio (Ec 7)

Por Fernando Leite

 16 Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo? 17 Não sejas demasiadamente ímpio, nem sejas tolo; por que morrerias antes do teu tempo? (Ecleciastes 7)

O versículo que se segue pode ser mal entendido por qualquer um, mas na mão de empresários pode ser um perigo. Note o que é dito no versículo 16: Não seja excessivamente justo nem demasiadamente sábio; por que destruir-se a si mesmo? Qual é a mensagem que ele nos dá ao dizer isso? Será que o que ele quer dizer é: “Seja moderado. Siga a vida com uma pitada de justiça e com uma pitada de injustiça.”? Ou, quem sabe, é o seguinte: “Ser religioso, tudo bem, mas não deixe que isto interfira na sua vida diária, na questão do prazer, na questão dos negócios, na sua vida sexual. Não exagere!” Esta proposta é a proposta popular: nem tanto ao mar nem tanto à terra. Não precisa ser tão justo, não precisa ser muito sábio.

Eu quero enfatizar que as palavras usadas aqui para justiça e para sabedoria, na verdade, fazem parte de uma linguagem, de uma forma de falar sobre como você deve se enxergar. Essa forma hebraica de dizer para não ser excessivamente ou demasiadamente justo traz a idéia de “não banque tal coisa”, “não se faça parecer tal coisa”. A estrutura hebraica aqui comunica esta idéia: “Não banque exageradamente que você é justo!”. Isto não engana ninguém porque ninguém é totalmente justo, mas algumas pessoas parecem querer comunicar essa imagem. Os fariseus fizeram isso. Os fariseus eram hipócritas, e bancavam, de uma maneira exagerada, que eles eram justos. A segunda expressão, quando ele diz “nem demasiadamente sábio”, em hebraico quer dizer “nem demasiadamente sábio para você mesmo”. Ele usa aqui uma forma reflexiva. É você se sentir ou se achar sábio ou, em outra linguagem, é ser sábio aos próprios olhos. Alguém pode desenvolver um orgulho pela sua santidade, pela sua justiça, pela sua sabedoria. Ele diz: “Não faça isso. Isso é destrutível.”

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Manifesto sobre a homossexualidade

Por Marcos Granconato
Título original: Manifesto (de um cristão) sobre o homossexualismo
Este manifesto consta de dezenove itens. Nesta primeira parte, por razões de espaço, somente nove foram publicados, ficando os demais reservados para a próxima semana.
Creio que os enunciados aqui expostos refletem, com poucas variações, o pensamento dos cristãos bíblicos, havendo espaço, obviamente, para acréscimos, esclarecimentos e maiores especificações.
Que o Senhor ajude o seu povo a defender corajosamente a verdade nestes dias nebulosos em que os homens chamam o mal de bem e o bem de mal.
1. Como cristão tenho o direito de pensar como um cristão. E se alguém quiser me proibir de pensar como um cristão, com a ajuda de Deus vou desobedecer, mesmo porque a algema do pensamento é a mentira e essa algema foi quebrada para mim quando abracei a verdade do Evangelho (Jo 8.32).
2. Como cristão tenho o direito de falar e escrever como cristão. E se alguém me proibir de falar ou de escrever como cristão, com a ajuda de Deus vou desobedecer, mesmo que todo o ódio dos homens e todas as agruras dos demônios recaiam sobre mim (At 4.19,20; 5.29). Aliás, como crente, creio que minha honra, dignidade e grandeza consistem, em parte, precisamente em ser odiado pelo diabo e por seus servos (Mt 5.10-12; Jo 15.19; 17.14; 1Pe 2.19-21).
3. Como cristão tenho a honra e o dever de ter as Sagradas Letras como a base de tudo o que creio, seja no campo da religião, da filosofia, da ciência ou da ética (2Tm 3.16), sabendo que o abandono dos pressupostos e dos ensinos bíblicos me deixarão à mercê das equivocadas, oscilantes, frágeis, corrompidas, fúteis e passageiras opiniões humanas (1Co 3.19,20; Ef 4.17).
4. Como cristão, vejo o crescimento do que alguns crentes têm chamado acertadamente de “cristofobia”, ou seja, a exacerbação do ódio e do desprezo contra a mensagem cristã e, em especial, contra a visão bíblica acerca da sexualidade (1Pe 4.4). Esse sentimento tem sido deliberadamente estimulado pela mídia, por pessoas do meio artístico e pelos políticos em geral, tornando os melhores cidadãos do Estado inocentes alvos de rancor, preconceito e perseguição (1Jo 3.13).
5. Como cristão, não acredito que a homossexualidade ou qualquer tipo de devassidão sejam doenças ou formas diversas de compulsão. Tampouco creio que esses desvios sejam determinados por fatores físicos e psíquicos ou ainda por qualquer outra causa alheia à vontade da pessoa. Na esteira desse pensamento, creio ser mera fábula a justificativa de que existem mulheres presas dentro de corpos de homens ou vice-versa. Em vez de acolher esses mitos, atribuo todo comportamento imoral à livre e responsável decisão do indivíduo que o adota seguindo voluntariamente seus desejos e paixões pecaminosas (Gn 4.7; Rm 6.13), sendo, por isso, absolutamente responsável diante de Deus por tudo o que faz (Ap 20.12,13).

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Gálatas 2.1-10 - A Unidade Apostólica


Por Marcos Granconato
No capítulo 2, Paulo continua a narrativa, sempre com o propósito de defender sua autoridade apostólica e a liberdade cristã. O capítulo começa com a afirmação que, passados quatorze anos, ele foi novamente a Jerusalém. É difícil detectar o ponto de partida para a contagem desses quatorze anos. Pode-se contá-los tanto a partir de sua primeira visita àquela cidade (1.18-20), como a partir de sua conversão, sendo esta última hipótese a mais provável.
No v. 1 Paulo diz que foi a Jerusalém acompanhado de Barnabé. Sabe-se que ambos por esse tempo eram líderes na igreja de Antioquia (Atos 11.25-26; 13.1) e certamente partiram dali para Jerusalém. Paulo diz que Tito, um gentio convertido também os acompanhou. O apóstolo prossegue dizendo que a visita foi motivada por uma revelação e que, graças a ela, teve a oportunidade de expor o evangelho que pregava aos homens influentes da principal igreja da Judéia (v.2).
Esses detalhes se encaixam perfeitamente na narrativa de Atos. A revelação de que Paulo fala é descrita em Atos 11.27-30 e diz respeito a uma profecia de Ágabo que predisse uma grande fome que assolaria o mundo romano.[1] Em virtude dessa revelação, Paulo foi enviado com Barnabé a Jerusalém a fim de entregar uma oferta levantada em Antioquia para os crentes da Judéia (Veja tb. At 12.25). Conforme narrado em Gálatas, nessa ocasião Paulo não só realizou a entrega da oferta, mas também aproveitou a oportunidade para expor aos líderes da igreja em Jerusalém a mensagem que pregava aos gentios.
A fim de manter em mente o lugar que esses episódios ocupam na cronologia de Atos, é bom lembrar que tudo isso aconteceu antes da Primeira Viagem Missionária a qual redundou na implantação das igrejas da Galácia (At 13-14) e antes do Concílio de Jerusalém (At 15.1-30), ocorrido em 48 d.C.
Paulo realça, ainda no v. 2, que fez a exposição de sua mensagem “aos que pareciam mais influentes”. Ademais, deixa claro que agiu assim para não correr inutilmente. Isso tudo significa que Paulo se preocupava em manter clara a harmonia entre seus ensinos e os dos demais apóstolos.[2] Isso faria com que seus esforços não fossem inúteis, ou seja, evitaria as divisões e até apostasias que as disputas entre mestres invariavelmente trazem sobre a igreja do Senhor e que tornam o trabalho de alguns uma corrida vã.
O v. 2 mostra, portanto, quão importante é que quem trabalha na obra de Cristo nutra a unidade não só com os crentes comuns, mas principalmente com aqueles que desempenham na igreja uma função de alta responsabilidade. Ter a aprovação somente dos que não ocupam lugar de destaque dado por Deus, com desprezo em relação ao parecer dos líderes, dos mestres e dos que são realmente influentes na igreja torna o trabalho uma corrida inútil, destinada ao fracasso, uma vez que só produzirá divisões e discórdias. Trabalha, pois, em vão o obreiro que arranca os aplausos do povo, mas está em desacordo com os homens que Deus constituiu como colunas na sua igreja. Paulo sabia disso e, ainda que não estivesse sob a autoridade dos apóstolos de Jerusalém, buscou cuidadosamente e para o bem da Causa estar em harmonia com eles.
Nos vv. 3-5, Paulo mostra que os ataques que estava enfrentando por parte dos falsos mestres da Galácia não lhe eram novidade. Ele narra que em sua segunda visita a Jerusalém, Tito[3], apesar de ser grego, não foi obrigado a circuncidar-se (3). Esse fato tinha especial importância para o enfraquecimento das acusações dos mestres judaizantes, pois dava provas de que os apóstolos de Jerusalém, ao contrário do que aqueles falsos mestres diziam, não exigiam a circuncisão de convertidos gentios[4]. Paulo, assim, comprova ainda mais a harmonia entre seu evangelho e o dos apóstolos da Judéia. Isso corrobora a tese de que é um verdadeiro apóstolo e destrói a acusação de que pregava um cristianismo modificado por seus caprichos.
A questão da necessidade da circuncisão de Tito, conforme Paulo narra, foi levantada na ocasião por falsos irmãos (4). Aqui Paulo diz abertamente que quem defende a justificação pela prática da Lei não é crente. É claro que isso atingia diretamente os mestres judaizantes que estavam ensinando nas igrejas da Galácia. O alvo claro de Paulo em toda essa sessão é desmascarar esses homens.
O v. 4 mostra uma das estratégias de Satanás no uso de seus ministros para destruir a obra de Cristo. Em primeiro lugar eles se infiltram em nosso meio. Assim, cada crente deve estar alerta para o fato de que nem todos os que estão na igreja são irmãos de verdade.  É comum incrédulos se fingirem de crentes para cumprirem os desígnios de Satanás no meio do povo de Deus. Tais pessoas são, portanto, muito perigosas (2Co 11.26; Fp 3.2-3) e o crente precisa de discernimento para detectá-las.
Uma das formas pelas quais podemos detectar essas pessoas encontra-se ainda no v. 4. Paulo deixa claro que os falsos irmãos se introduziram na igreja para “espionar” a liberdade dos crentes. Espionar é atividade própria de estrangeiros inimigos. O verbo sugere a idéia de espiar um território. Assim o espião é sempre um inimigo disfarçado que procura os pontos fracos do seu alvo a fim de cooperar com sua destruição. Em Jerusalém, os “espiões” procuravam encontrar dentro da igreja fraquezas na compreensão da liberdade conquistada por Cristo para os crentes. Fazendo pressões sobre esses pontos de maior fragilidade eles tinham como alvo destruir a liberdade cristã e tornar os crentes escravos da Lei.[5]
Toda essa estratégia usada pelos maus nos ajuda a detectar os inimigos de Cristo infiltrados entre os irmãos. Sempre que alguém no meio da igreja milita contra algo que Cristo conquistou para nós na cruz, certamente tal pessoa é um servo de Satanás a serviço de seu senhor no meio do povo de Deus. Exemplos do que Cristo conquistou para nós no Calvário, além da liberdade, são a alegria (Jo 7.38), a comunhão pacífica (Ef 2.14-16), o acesso a Deus (Hb 10.19-20) e o poder para uma vida de consagração (Rm 6.10-11; 2Co 5.15). Sempre que alguém, dentro da igreja, luta contra essas coisas, tal pessoa deve ser olhada com suspeita como um falso irmão infiltrado em nosso meio para destruir a obra do Mestre e, assim, cumprir os planos de Satanás.
O v. 5 deixa implícito que os falsos irmãos, além de tentar destruir o que Cristo conquistou para o seu povo também tentam se impor sobre o rebanho. Paulo dá a entender que os legalistas de Jerusalém queriam que ele e todos os crentes se sujeitassem às suas idéias (o paralelo com os legalistas que estavam na Galácia é óbvio, cf. 4.17; 6.12-13). É, de fato, traço típico dos falsos irmãos tentar ocupar posições de influência, de onde seus ataques podem ser feitos com maior eficácia (3Jo 9-10). O Apóstolo, porém, em nenhum momento se sujeitou a eles. Com isso ele buscava preservar a verdade do Evangelho. A verdade que o Apóstolo tem em mente aqui é a consubstanciada em 3.11. 
Demonstrar que sua mensagem não lhe fora entregue por homem algum, mas sim pelo próprio Cristo, era fundamental para Paulo na defesa de seu apostolado (1.11-12). Por isso insiste em dizer que em sua segunda visita a Jerusalém, os apóstolos que ali estavam nada lhe acrescentaram (6). Com a expressão “quanto aos que pareciam influentes”, Paulo dá a entender que tem em mente outros líderes, pouco conhecidos por ele, além dos apóstolos. Ao mencionar tais homens e sua aparente autoridade, Paulo observa que a grandeza deles naquela igreja não o impressionava, pois, conforme lembra, “Deus não julga pela aparência”.
De fato, é comum na igreja vermos pessoas se destacando, tornando-se conhecidas e influentes, obtendo um lugar de proeminência no meio da irmandade, dando a todos a impressão de que são “grandes” e cheios de autoridade entre os crentes. Alguém assim pode impressionar os homens, mas não passar de uma figura desprezível aos olhos de Deus, alguém que até mesmo muito o aborrece com seus ares de orgulhoso, com sua preocupação em passar uma falsa imagem de santidade e zelo (Mt 6.16; 2Tm 3.1-5), e com sua incapacidade de aceitar qualquer autoridade sobre si. Paulo sabia que muitas vezes as aparências não correspondem aos fatos. Por isso, não se deixava levar pelo aspecto externo das coisas, sabendo que o justo Juiz julga de acordo com critérios que vão além das nossas possibilidades (1Sm 16.6-7; Is 11.1-4), o que também deveria nos conduzir a um cuidado maior com o que realmente somos e com o modo como tratamos as pessoas (Jo 7.24; Tg 2.1-10).
Paulo prossegue dizendo que a liderança da igreja em Jerusalém reconheceu seu apostolado como estando no mesmo nível do apostolado de Pedro, o apóstolo de maior destaque entre os Doze (7). A diferença entre ambos era apenas no tocante ao alvo de cada ministério. O principal alvo de Paulo era os gentios; o principal alvo de Pedro era os judeus. Isso, evidentemente, não significava que Paulo não deveria pregar aos judeus (At 9.15), ou que Pedro não deveria evangelizar gentios. Na verdade, os judeus eram os primeiros que Paulo tentava conduzir à fé nas cidades por onde passava (At 13.45-48; 14.1; 18.5-6; 28.16-28), e Pedro foi personagem fundamental no “processo de inclusão” dos gentios na igreja (At 10; 15.7). Aqui, no entanto, é-nos ensinado acerca da ênfase do trabalho de cada um (Rm 11.13; 1Tm 2.7).
A despeito de atuarem em esferas diferentes, a igualdade entre o apostolado de Paulo e o de Pedro estava no fato de que Deus operara da mesma forma por meio de ambos (8). Não havia, pois, razão alguma para que Paulo fosse considerado um falso apóstolo ou um apóstolo de categoria inferior como pretendiam os mestres legalistas. Paulo ensina no v.8 que nem mesmo o próprio Deus fazia essa distinção.
A operação de Deus por meio de Pedro e Paulo como apóstolos, consistiu em manifestar seu Filho a eles depois de ressurreto (Jo 20.19-20; 1Co 9.1), incumbi-los pessoalmente da missão de proclamar o Evangelho (Jo 20.21; At 26.15-18; 1Co 9.17), dar-lhes singular intrepidez e sabedoria ao pregar (Mt 10.17-20; At 4.13; 2Co 10.3-5; 11.23-29), abrir o coração de incrédulos para a sua mensagem (At 2.37-41; 16.14) revelar-lhes verdades doutrinárias até então desconhecidas (2Co 12.1,7; Ef 3.2-6; 2Pe 3.1-2), e realizar milagres jamais vistos como prova de que sua mensagem vinha de Deus (2Co 12.12; Hb 2.3-4).
Paulo conclui o relato sobre sua segunda visita a Jerusalém falando que os líderes da igreja ali reconheceram a legitimidade de seu ministério e estenderam a mão a ele e a Barnabé, um sinal de harmonia e amizade, estando em acordo quanto às diferentes esferas de atuação missionária (9). É bom ressaltar que os líderes aqui, Tiago, Pedro e João, são chamados de colunas, o que lembra o dever dos que estão à frente de sustentar a igreja com força e firmeza inabalável (2Tm 1.7).
O v. 10 revela que os líderes de Jerusalém somente pediram que Paulo e Barnabé se lembrassem dos pobres. Isso fazia sentido, considerando que a visita tinha sido motivada pela profecia de Atos 11.27-30. Tal pedido, porém, não refletia qualquer autoridade dos apóstolos de Jerusalém sobre Paulo. Mesmo assim, ele se esforçou para atendê-lo. De fato, o cuidado com os carentes foi uma marca presente ao longo de todo o ministério de Paulo (Rm 15.25-26; 1Co 16.1-4).


[1] A fome mencionada em Atos aconteceu, provavelmente, entre 46 e 48 d.C., mas não abrangeu o Império inteiro, sendo a Judéia o seu cenário. Contudo, aqueles dias foram marcados por fomes freqüentes que sobrevieram a diferentes regiões de todo o Império.
[2] Isso era especialmente importante porque, como se sabe, os falsos mestres da Galácia estavam dizendo que o ensino de Paulo era contrário à doutrina dos apóstolos de Jerusalém.
[3] Tito foi, posteriormente, delegado de Paulo com a missão de administrar a crise em Corinto (2Co2.12-13; 7.5-7). Ele também coordenou as igrejas de Creta (Tt 1.5).
[4] Como se sabe, os judaizantes entendiam que a circuncisão era fundamental para que o homem fosse justificado. Veja 5.2-4, 6; 6.12-13, 15.
[5] A atividade e ensino dos judaizantes de Jerusalém num tempo posterior mas muito próximo da composição da Epístola aos Gálatas podem ser vistos em Atos 15.1-2,5.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Qual tem maior valor, o comentarista ou o autor bíblico?

Por T. Zambelli

Há pouco tempo um bom amigo e irmão em Cristo, mestrando em Dallas Theological Seminary, escreveu
um artigo cuja interpretação é no mínimo bastante divergente do que grande parte dos crentes conhecem.

Eu republiquei o artigo em Pense Bíblia: "Papa, Pedro e a Pedra." Seu artigo também está em outros sites, como no que Marcelo Berti, autor do artigo, mantém: Teologando. Mas foi no site NAPEC que ele encontrou o que quero compartilhar neste post.

Fazendo um extremo resumo do artigo de Marcelo, ele apresenta a passagem de Mateus 16.18 (E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la - NVI) e conclui que Pedro é a pedra que Jesus faz referência. Historicamente o protestantismo reagiu à conclusão católica romana e apontou para Cristo ou a declaração de Pedro como a pedra a que Jesus se refere. Marcelo diz: “Eu realmente acredito que a interpretação Católica é a interpretação correta do texto, embora entenda que a implicação Protestante seja correta." (Grifos meus.)

Espero eu já ter causado curiosidade suficiente para que você, leitor, possa tomar um tempo e conhecer o artigo. Repito o link aqui: http://goo.gl/mxqsF

De fato, meu ponto não é atacar nem defender a interpretação do Marcelo, mas compartilhar algo que tenho empiricamente notado e que reconheço correr o risco. Muitos crentes, quando diante de interpretações que desafiam a lógica de seus sistemas, bem como suas compreensões históricas, geralmente reagem equivocadamente à nova informação. Geralmente eles não proporcionam o devido tempo para processar os novos dados e examinar à luz das Escrituras se aquilo procede ao lado da verdade ou não. Não são como os de Bereia. As razões para agirem assim são as mais diversas, mas todas na mesma raíz, o pecado.

Marcelo encontrou alguém com as características de um estrategista sofista: superficial, relativista, cheio de perguntas de tom acusativo e sarcástico, nunca bem fundamentado. Um sofista não procura responder às questões, mas apontar à falta de consistência do argumento a quem ele advoga contra, mesmo que tenha que usurpar da verdade. Marcelo foi acusado de herege mesmo tendo, com tanta clareza, usado a Bíblia, a história e outros pensadores cristãos para apresentar seu ponto de vista. (Para entender exatamente o que digo, veja os comentários ao final do artigo do Marcelo em NAPEC.)

À semelhança desta história, conto outra. Um amigo pastor certa vez me perguntou sobre meu ponto de vista a respeito de divórcio e recasamento. Tenho uma convicção minoritária sobre este assunto. Respondi a ele o que eu penso biblicamente, no entanto, ele não achava aquilo possível. Semanas depois ele me encontrou e muito empolgado disse: "mudei de ideia sobre divórcio e recasamento e agora sou do seu time" - eu nunca havia pensado que éramos de times adversário. Logo, perguntei: "e como isso aconteceu?" Ele foi exposto aos mesmos argumentos que eu havia dito, no entanto, por uma outra pessoa, agora John Piper.


Como no artigo do Marcelo, a demonstração bíblica de que Pedro era a pedra não parecia ser suficiente. O que então é suficiente? Em minhas humildes e limitadas observações, parece-me que o crente brasileiro tem dado mais ouvido aos pregadores do que o texto que deve ser pregado. Eles têm dado mais credibilidade aos comentaristas bíblicos do que os escritores bíblicos (supervisionado pelo Único Autor). O peso de alguns nomes de estudiosos bíblicos tem sido mais valioso que a própria Palavra de Deus.

Para não ser entendido equivocadamente, deixo explícito: é importante e muito valioso observarmos e aprendermos com nossos piedosos e inteligentíssimos irmãos o que eles perceberam e aprenderam do texto bíblico. No entanto, isso não deve estar em primeiro lugar na busca pela verdade. Não devemos cegamente aceitar o cometário de um pastor, reverendo, missionário ou qualquer outro com título ou sem título sem averiguação da verdade com a Palavra de Deus. A verdade somente é verdade se for coerente com a Palavra de Deus, porque ela é a própria verdade (João 17).

Na prática é isso o que acontece: se Russell Shedd disse, então esta é a verdade; se John Piper disse, então esta é a verdade; se meu pastor disse, então esta é a verdade. Por favor, nunca desconsidere o que pessoas piedosas ensinam, mas nunca as considere infalíveis. Ouça e leia o que outros piedosos homens entenderam das Escrituras, mesmo que não seja o mesmo ponto de vista daqueles que você reconhece pelo zelo da Palavra de Deus.

Você já leu o artigo de Marcelo, Papa, Pedro e a Pedra? Fará diferença para você, se eu lhe disser que Allen Ross, Marvin Vincent e Herman Nicolas concordam com ele? E seu acrescentar Weber e Bloomberg? E seu eu lhe disser que tanto John Piper quanto John MacArthur interpretam o texto de Mt 16.18 sendo Pedro a pedra assim como Marcelo o faz?

Para mim, saber o ponto de vista de pensadores cristãos como estes é muito importante. Muitas vezes, quando eu estudo, acontece de minha interpretação ser diferente de alguns dos professores que eu mais prezo. Quando isso acontece, reavalio tudo o que eu pensei e procuro mais conteúdo sobre o tema. Neste processo eu oro a Deus para que orgulho não seja um problema para eu não aceitar a verdade de Deus.

sábado, 13 de abril de 2013

O Antigo Testamento e a Bíblia

Por Luiz Sayão

A Bíblia é a revelação escrita de Deus aos homens. Ela é clara em afirmar sua origem divina. As Escrituras
são divinamente inspiradas e proveitosas para nos ensinar a verdade de Deus (2Tm 3.16). Seu próprio testemunho é uma obra plenamente confiável, pois ela é a Palavra de Deus. São 66 livros, 39 no Antigo Testamento, anteriores ao nascimento de Cristo, e 27 no Novo Testamento, escritos depois de Cristo. O Novo Testamento faz sentido quando lemos e entendemos o Antigo Testamento. Há nas Escrituras uma revelação progressista, culminando em Cristo, no Novo Testamento. Resumir o propósito das Escrituras não é fácil, mas podemos dizer que a essência da mensagem bíblica é a seguinte:

1. Explicar a origem do homem

2. Mostrar a origem do mal e do pecado no mundo

3. Ensinar que Deus deseja a salvação dos homens

4. Afirmar que a salvação de Deus está na pessoa de Jesus

5. Afirmar que há esperança e vida eterna para todo aquele que se volta para Deus, por meio de Cristo Jesus.

Ao contrário do que alguns imaginam, os autores da Bíblia não foram usados como uma máquina de escrever quando redigiram os textos sagrados. Não foi algo parecido com uma psicografia!No entanto, mesmo conscientes e mostrando seu estilo peculiar, foram usados por Deus para revelar a vontade divina para nos e não suas próprias opiniões. A prova de que eles não escreveram suas opiniões particulares é que muitos dos autores bíblicos nem compreendiam a plena profundidade daquilo que estavam redigindo, como foi o caso das profecias (2Pe 1.19-21). O Espírito de Deus supervisionou a sua própria Palavra, ainda que tenha usado instrumentos humanos, conforme lemos nas próprias Escrituras Sagradas

Muitas pessoas rejeitam o valor da Bíblia pelo flato de algumas de suas histórias serem repletas de milagres extraordinários. Isso é especialmente destacado no caso do Antigo Testamento. Algumas pessoas até sinceras chegam a perguntar: “Como pode Jonas sobreviver no ventre de uma baleia? Seria verdade que o mar Vermelho abriu-se? Como pode alguém ressuscitar? É possível fazer descer fogo dos céus?”. Muitos pensam que é impossível para um cidadão culto e bem informado acreditar em histórias tão fantásticas. Talvez isso não seja tão difícil assim! É interessante observar, por exemplo, que a maioria das pessoas acredita que Deus criou o mundo e o universo. No entanto, é muito mais difícil criar tudo o que existe a partir do nada do que fazer o mar Vermelho abrir-se. Como pode alguém acreditar que Deus criou todas as coisas e duvidar que ele tem poder para interferir no mundo criado? Se cremos que Deus é Todo-Poderoso não devemos achar tão difícil que ele tenha feito milagres extraordinários como vemos nas histórias de Moisés, Elias e Jonas.


segunda-feira, 8 de abril de 2013

sábado, 6 de abril de 2013

Como assim, não toque no ungido do Senhor?

Por Augustus Nicodemus Lopes

Há várias passagens na Bíblia onde aparecem expressões iguais ou semelhantes a estas do título desta postagem:

A ninguém permitiu que os oprimisse; antes, por amor deles, repreendeu a reis, dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas (1Cr 16:21-22; cf. Sl 105:15).

Todavia, a passagem mais conhecida é aquela em que Davi, sendo pressionado pelos seus homens para aproveitar a oportunidade de matar Saul na caverna, respondeu: "O Senhor me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele [Saul], pois é o ungido do Senhor" (1Sm 24:6).

Noutra ocasião, Davi impediu com o mesmo argumento que Abisai, seu homem de confiança, matasse Saul, que dormia tranquilamente ao relento: "Não o mates, pois quem haverá que estenda a mão contra o ungido do Senhor e fique inocente?" (1Sm 26:9).
Davi de tal forma respeitava Saul, como ungido do Senhor, que não perdoou o homem que o matou: “Como não temeste estender a mão para matares o ungido do Senhor?” (2Sm 1:14).

Esta relutância de Davi em matar Saul por ser ele o ungido do Senhor tem sido interpretado por muitos evangélicos como um princípio bíblico referente aos pastores e líderes a ser observado em nossos dias, nas igrejas cristãs. Para eles, uma vez que os pastores, bispos e apóstolos são os ungidos do Senhor, não se pode levantar a mão contra eles, isto é, não se pode acusa-los, contraditá-los, questioná-los, criticá-los e muito menos mover-se qualquer ação contrária a eles. A unção do Senhor funcionaria como uma espécie de proteção e imunidade dada por Deus aos seus ungidos. Ir contra eles seria ir contra o próprio Deus.

Mas, será que é isto mesmo que a Bíblia ensina?

A expressão “ungido do Senhor” usada na Bíblia em referência aos reis de Israel se deve ao fato de que os mesmos eram oficialmente escolhidos e designados por Deus para ocupar o cargo mediante a unção feita por um juiz ou profeta. Na ocasião, era derramado óleo sobre sua cabeça para separá-lo para o cargo. Foi o que Samuel fez com Saul (1Sam 10:1) e depois com Davi (1Sam 16:13).