quarta-feira, 27 de março de 2013

Características básicas do significa de casamento

Jay Adams, em seu livro, Marriage, Divorce and Remarriage in the Bible (Zondervan), começa com a
importância de saber, de fato, o que é casamento. Ele fala de algumas características básicas, porém essenciais, que todo crente deve saber:

  1. Casamento não é uma instituição humana. Foi ideia de Deus (Gn 2) e, por isso, mesmo o estado não tem a competência de dizer quando uma pessoa está ou não está casada. Ao estado cabe guardar a instituição divina.
  2. Casamento é uma instituição fundamental. É a menor unidade da sociedade. Quando alguém ataca o casamento, ataca necessária e consequentemente, o criador dessa instituição, Deus.
  3. Casamento não foi criado para o propósito da procriação, como diz a teologia católica romana e de alguns círculos protestantes. A procriação é somente uma característica do casamento. Note que o ser humano seria muito mais prolífico fora do casamento.
  4. Casamento não é a mesma coisa que relação sexual. Casamento é uma união que implica em haver relação sexual como uma obrigação central e de prazer. Se casamento e sexo fossem um, então a Bíblia não precisava apresentar a palavra fornicação, por exemplo. Alguns, equivocadamente, até dizem que adultério dissolve um casamento porque um novo casamento é feito. Também, mais uma vez erradamente, alguns acham que o casamento se inicia na lua de mel. Se isso fosse verdade, muitos ministros de casamento (padres, pastores, sacerdotes, etc) estariam mentindo ao dizer: "eu agora os pronuncio marido e mulher." De fato, o relacionamento sexual santo é possível na lua de mel porque eles já estão casados (Hb 13.4).

"Um casamento é consumado quando um homem e uma mulher trocam votos diante de Deus e entre si, então eles entram numa relação de aliança."

sábado, 23 de março de 2013

A Convenção Batista Brasileira é fundamentalista?

Por Mark Ellis

Tenho conversado com vários alunos que estão confusos sobre as várias linhas da teologia, alguns dos quais acham que as únicas alternativas são a teologia da libertação e a do fundamentalismo. Eles não têm a menor ideia da diferença entre fundamentalismo e evangelicalismo. Eles parecem pensar que qualquer um que mantém a fé apostólica, protestante e evangélica, é um "fundamentalista". Aqui está um texto que pode ajudar a esclarecer a confusão.

O fundamentalismo era de fato sobre teologia, mas o que faz alguém um "fundamentalista" não é a sua teologia, mas a maneira como se defende a teologia. George Marsden, professor não evangélico de História da Igreja na Universidade de Yale, identificou duas marcas do fundamentalismo: 1) militância - hostilidade manifesta contra aqueles que não compartilham de suas crenças, e 2) separação - a falta de vontade de trabalhar com aqueles que não compartilham de suas perspectivas. Abaixo um site de fundamentalistas batistas que corajosamente declaram que este é o seu distintivo primário.



São essas duas características, militância e separação, que nos permite falar de "fundamentalistas muçulmanos" e, até mesmo, "fundamentalistas liberais". O pequeno relacionamento que eles têm com o cristianismo converge em seu ódio mútuo e de rejeição pelos cristãos. Eles são agressivos na sua vontade de promover as suas ideias, e querem excluir de suas esferas de influência todos que não concordam com eles. De muitas maneiras, a palavra "fundamentalista" tornou-se um palavrão que os apóstatas usam contra a verdadeira fé cristã, contra os próprios evangélicos, como uma forma de tentar disfarçar sua apostasia.

Ao contrário do que dizem, a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira é evangélica e não fundamentalista como descrito supra. Ela é uma excelente e admirável exposição de nossa fé, escrita com impressionante erudição e discrição. Onde os batistas brasileiros estão de acordo e, de fato concordam com a fé histórica do Cristianismo, é claríssima como a luz do sol. E onde há diferenças, ambas as partes podem lê-la e descordar. É este espírito de concordar com os claros ensinamentos da Palavra de Deus e a possibilidade de concordar ou discordar sobre assuntos secundários que torna o movimento batista tão bonito. Assim, a Declaração Doutrinária da CBB não é um instrumento de divisão e militância, mas a expressão alegre da fé que reúne os evangélicos batistas.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Não quero ter filhos. O que há de errado?

Por Rick Thomas

Pergunta: “Ei, Rick! Pode me ajudar com uma coisa? Nunca tive o desejo de ter filhos e me pergunto se isso é errado. É? O que você diria para uma pessoa que não quer ter filhos?”

Esta é uma pergunta intrigante. Em primeiro lugar, gostaria de começar com o que a Bíblia diz sobre ter filhos ou não. Acho que você já sabe que não há nenhum texto que diz: “Tu deves ter filhos e não há outra maneira além dessa”.

Devemos sempre levar nossas perguntas para a Palavra de Deus com integridade, humildade e desejo de nos alinhar com o que Deus nos ensina. A partir de uma perspectiva teológica, não é absolutamente obrigatório que todas as mulheres tenham filhos.

É claro, no aconselhamento, a pergunta original raramente é a pergunta certa. Geralmente existem questões nas entrelinhas que devem ser exploradas, a fim de se responder a questão inicial.

Eu poderia dizer: “Não, você não tem de ter filhos” e deixar por isso mesmo, e me mover para o próximo assunto. No entanto, se eu tivesse o contexto e o relacionamento para ir mais fundo, a coisa certa a fazer seria explorar o que está por trás de sua pergunta.

Embora eu não te conheça, eu posso explorar um pouco os possíveis problemas subjacentes que levaram a sua falta de desejo de ter filhos. Não estou dizendo que você deve ou não, estou apenas explorando o assunto. Como todos os nossos desejos estão enraizados em nossos corações, não em nossa prática, você deve checar o seu coração em primeiro lugar.

Deixe-me ilustrar. O meio-irmão do Salvador nos ensina como nossa raiva (comportamento) está enraizada em nossos deleites (Tiago 4:1), inveja ou cobiça (Tiago 4:2). Se você quer entender porque uma pessoa respondeu com raiva, você precisa discernir e compreender seus desejos, seu coração.

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segunda-feira, 18 de março de 2013

O Papa, Pedro e a Pedra

Por Marcelo Berti

E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la - Mateus 16:18





Com a recente mudança na direção da igreja católica, novamente as questões relacionadas a interpretação de Mateus 16.18 veem à tona: Quem ou o que é a pedra na qual Jesus pretende construir sua igreja? Seria uma referência ao apóstolo Pedro ou a Jesus Cristo? Se Pedro é a Pedra é ele o Papa? Afinal de contas quem é a pedra mencionada nesse texto? E o que essa expressão significa?

A interpretação desse texto tem sido alvo de avaliações e reavaliações durante a história da igreja, e duas categorias principais insurgem nessa busca pela correta compreensão do texto. A primeira interpretação é conhecida por meio da Igreja Católica, que afirma que Cristo afirma com esse texto que Pedro é a rocha sobre a qual Jesus iria construir sua igreja. Assim esse texto afirmaria a base para o Papado Petrino e como parte da argumentação para sua sucessão papal. A segunda interpretação é conhecida como a interpretação Protestante, que rejeita a ideia de um Papado de Pedro como o cabeça da igreja e portanto a sucessão papal decorrente dela. Duas diferentes opiniões protestantes são conhecidas: (1) A confissão de Pedro (Tú és o Cristo o Filho do Deus vivo) é a pedra, ou então, (2) O próprio Cristo é a pedra sobre a qual a igreja é edificada.

sexta-feira, 15 de março de 2013

A diferença que uma letra faz

Por Marcelo Berti

“Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade” Lucas 2:14 (ARC)
Acho que a maioria de nós já ouvir esse verso na época do Natal: pode ter sido num cartão, numa cantata ou até mesmo em algum comercial de televisão. A verdade é que é um texto bem conhecido até mesmo por quem nunca sequer abriu a Bíblia em sua vida.

Entretanto, outras versões portuguesas lêem o mesmo verso de modo diference, como é o caso da NVI: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor” (NVI). Observe que a diferença não é grande, mas a ARC afirma que a paz anunciada pelos anjos é direcionadas aos homens de boa vontade, ao passo que a NVI afirma que a mesma paz é direcionada apenas aos homens a quem Deus estende seu favor.

A diferença entre a ARC e a NVI reside em uma pequena letra no texto grego equivalente à letra “s” em português. No texto grego usado pela ARC (conhecido como Texto Recebido) traz a palavra grega eudokia, enquanto o texto usado pela NVI (conhecido como Texto Crítico) traz eudokias.

O Texto Recebido traz o substantivo no nominativo e por isso traz a força de um substantivo em aposição à sentença “entre os homens“. Ou seja, a paz na terra anunciada pelos anjos é oferecida aos homens, ou seja, àqueles que tem boa vontade.

No Texto Crítico o mesmo substantivo no genitivo e por isso está diretamente ligado ao substantivo homem e oferece a característica do substantivo que modifica. Ou seja, a paz na terra é agora oferecida aos homens que recebem favor de Deus.

A diferença entre as duas palavras é pequena, mas faz bastante diferença. Na primeira leitura a paz é oferecida de modo genérico à humanidade. Na segunda, a paz é restrita e oferecida objetivamente ao homens a quem Deus concede seu favor.
UMA LETRA FAZ MUITA DIFERENÇA. É a diferença entre um copista desatento (que acrescentou ou esqueceu uma pequena letra) e um copista reformado (que incluiu o s).
Nenhuma doutrina essencial é afetada por essa pequena mudança, mas a leitura da ARC poderia reforçar o mandato missionário universal, enquanto a NVI poderia reforçar a evidência bíblica da ação seletiva de Deus.

A diferença é pequena, mas exige uma definição. Qual versão você acredita que Lucas, o autor desse texto usou, nominativo ou genitivo?


segunda-feira, 11 de março de 2013

Cinco dicas para pregar em passagens complicadas

Por Don Carson

  1. Leia muitos comentários sobre a passagem específica. Passagens complexas admitem diferentes formas de alcançar uma possível ou correta conclusão.
  2. Esteja preparado para oferecer uma conclusão com probabilidades. Por exemplo: "talvez a melhor solução para esta questão seja..." Demonstre com segurança que o assunto admite diferentes soluções.
  3. Não invista tempo demais na solução de passagens complexas. Talvez você possa dizer que está aberto a falar mais sobre este tema em outra ocasião.
  4. Não use expressões que tenham qualquer conotação de superioridade. Por exemplo: "tal catedrático, doutor, comentarista ou escolástico pensa assim, mas eu cheguei a conclusão que..."
  5. A única vez que você deve devotar tempo para explicação de uma complexidade bíblica é quando ela está intrinsecamente relacionada com a teologia apresentada ou ela completa a ideia para a integridade das Escrituras.