sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Deus permite que eu use um presépio em minha igreja?

Por Mark Ellis
Repondendo a uma carta

Prezado Roberto (nome fictício),

Em primeiro lugar, obrigado por confiar em mim para dirigir essa pergunta. Responderei à sua pergunta em dois níveis: o absoluto e o cultural.

Em termos absolutos, não vejo nenhum problema com presépio, seja na igreja ou em casa. Diane e eu usamos alguns para enfeitar nossa casa durante o natal. Mas existem duas objeções contra essa perspectiva.

A primeira é ofenderia o primeiro dos dez mandamentos: Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem de qualquer coisa no céu, na terra, ou nas águas debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque eu, o SENHOR, o teu Deus, sou Deus zeloso, que castigo os filhos pelos pecados de seus pais até a terceira e quarta geração daqueles que me desprezam, mas trato com bondade até mil gerações aos que me amam e obedecem aos meus mandamentos. (Êxodo 20:4)

Parece, para mim, que temos somente duas opções para interpretar o texto: ou a proibição absoluta de qualquer imagem e escultura, ou a proibição contra imagens e esculturas feitas como objetos de culto. Se aceitarmos a primeira opção em termos absolutos, como proibição de toda a qualquer imagem, isso vai eliminar imagens de todo e qualquer tipo: fotos de netos, bonecas como Barbie, estátuas de animais no jardim, tudo. É assim que os muçulmanos o interpretam.

Eu rejeito a primeira e aceito a segunda por duas razões:

1) O próprio texto deixa muito claro que o propósito de fazer a imagem era prestar culto e cultuar o objeto como um deus. E aplicando isso ao presépio, por tudo que sei, nenhuma pessoa em nenhuma igreja batista iria prestar culto à nenhuma bonequinha encontrada no presépio. Aceitamos como mera
decoração em vista da celebração do nascimento do Salvador.

2) Deus mandou Moisés fazer imagens de várias entidades para serem colocadas no templo: romã, árvores e flores no santo dos santos, bois embaixo da banheira de purificação, e quatro serafins dentro do santo dos santos, dois sobre sobre o propiciatório, e dois lado a lado sobre tudo. O próprio Deus mandou a fabricação de imagens para seu uso dentro do próprio templo de Deus, sem correr nenhum risco de alguém cultuá-las. Então, nego que o primeiro mandamento está proibindo a fabricação de toda e qualquer imagem.

Apesar de qualquer questão sobre a interpretação da Lei de Moisés, existe um princípio teológico mais básico ainda:

Sendo gentios, nunca fomos sujeitos à Lei de Moisés, e sendo cristãos, teríamos sido liberados de qualquer obrigação de guardar a Lei. Para nós gentios que estamos debaixo da graça, que importa é amar Deus mais que qualquer outra coisa.

Mas alguém poderia perguntar, "Mas tendo Jesus menino na manjedoura, não teríamos feito uma imagem de Deus?" Reconheço a lógica, mas nego a conclusão.

Em primeiro lugar, de fato, a própria encarnação era criar uma imagem de Deus em carne e osso para todo mundo ver (Hebreus 1.1-3). Se houvesse maquinas fotográficas nos dias da vida terrestre de Cristo, teria sido permitido bater uma foto de Cristo? Se encontrássemos um desenho de Cristo feito por uma testemunha ocular deveríamos destruí-lo? Eu ACHO que não.

Em segundo lugar, se o problema fosse somente a escultura de Cristo menino, poderíamos fazer um presépio com José, Maria, os pastores, as ovelhas, e o anjo se deixarmos pra fora o bonequinho de Cristo?

Então, em termos absolutos, não vejo nenhum problema com fazer presépio, nem para uso em casa nem na igreja.

Agora, vamos para o outro lado de sensibilidade cultural. Estamos num pais católico romano onde o culto de imagens está endêmico. Estamos de verdade correndo o risco de criar confusão nas mentes dos que foram convertidos da Igreja Católica Romana e uma vida de idolatria e prestação de culto de imagens. Eu entendo que "o escândalo do irmão mais fraco" seria fazer qualquer coisa diante de uma pessoa que foi dominada por aquilo, e vendo nosso comportamento, poderia ser fortalecido para voltar para aquela prática e ser dominada de novo. Mas este princípio tem limites. Conforme Romanos 14:1-12, os que são fortes na fé e capazes de participar numa atividade sem violar seu compromisso com Deus são livres para fazer aquela coisa, e os fracos na fé que não são capazes de fazer sem sentir culpa deveria evitar tais atividades. Mas o fortes deveriam não menosprezar os fracos, e os fracos deveriam NÃO CONDENAR OS FORTES. Os fracos não poderiam usar sua fraqueza para dominar os outros ou impor suas opiniões.

Conheço um professor de teologia que, antes de ser salvo, era viciado por beisebol americano, inclusive apostando nos jogos. Para seu benefício, todos os outros professores teriam de ser proibidos de jogar beisebol pelo resto de suas vidas? Acho que não. Mas pelo amor dele, os outros simplesmente o respeitaram por limitar suas conversas na sua presença, e não o convidavam quando iam assistir os jogos. Houve algo intrinsecamente pecaminoso no ato de assistir um jogo de beisebol? Para mim, não! Mas para não provocar meu irmão voltar para o que era um ídolo para ele, limito minhas liberdades na presença dele.

Mas, existe um outro lado dessa questão: Deus espera que o imaturo amadurece. Quando renovei meu compromisso com Cristo, houve coisas que Deus tirou da minha vida. Uma daquelas coisas foi a mentira, e eu era viciado nisso! O meu medo de voltar para a vida do mentiroso era tão forte, que minha consciência nem deixou-me participar em jogos inocentes que implicaram em enganar os outros jogadores. E por um bom tempo eu julguuei equivocadamente em meu coração os que participaram destes jogos. Hoje não os julgo, mas eu ainda não os jogo. Não me ofende se os outros, inclusive minha esposa e todos os meus filhos jogam. Mas eles sabem para não insistir comigo de jogar com eles. Minha consciência simplesmente não permite.

Baseado neste princípio, aqui no Brasil, eu ia pensar muito e conversar muito com os maduros da igreja antes colocar um presépio na igreja.

Essas são minhas opiniões na questão. Se tiver idéias que poderiam ampliar meu entendimento, seriam aceitas com humildade e prazer.

Tudo de Melhor em Cristo,
Dr. Mark

sábado, 15 de dezembro de 2012

Natal entre católicos: cinco (5) princípios para manter em mente

Você se senta para jantar de Natal com sua família, os quais são católicos. Tio Felipe, o autoproclamado líder dos Opus Dei conduz uma oração à Virgem Maria. Você se lembra do diálogo descarrilhado do ano passado no qual ressaltou o “não bíblico e eventualmente idólatra parecer sobre os santos” pode ter alguma forma precipitada esta nova ênfase. Ou talvez tia Luísa, sua mulher e pessoa mais ofendida com sua paixão pela apologética pelo Solus Christus, teve alguma influência. Em ambos os casos, você está passando mais uma vez outro feriado com a família em que a discussão religiosa criará combustão social volátil o suficiente para estourar o teto da casa.

Este ano, como nos aproximamos reuniões de família, temos a oportunidade de fazê-lo com a sabedoria e  graça de Cristo, tão dedicada ao evangelho, e também comprometido com o povo a quem amamos. No final das contas, entendemos que a palavra da cruz é loucura para aqueles ainda que estão perecendo, mas não deixam de ser obrigados a nos comportar de uma maneira cativante e graciosa, ou, nas palavras de Paulo, para tornar a nossa fala graciosa e temperada com sal (Cl 1:6), seguem-se cinco sugestões práticas para ajudá-lo para este fim.

Deus se arrepende?

Por Marcelo Berti

Em Gênesis vemos uma declaração interessante sobre Deus, observe: “então, se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração. Disse o SENHOR: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus; porque me arrependo de os haver feito” (Gn.6.6, 7). Essa declaração de Moisés sobre as palavras de Deus em relação a humanidade é sem sombra de dúvidas interessante: Deus se arrepende.

Mas, isso significa que Deus muda? As escrituras são claras quanto ao fato de que Deus não muda, observe: “Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos” (Ml.3.6); “Também a Glória de Israel não mente, nem se arrepende, porquanto não é homem, para que se arrependa” (1Sm.15.29); “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg.1.17). Mesmo Moisés apresenta Yahweh como um Deus que não se arrepender: “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?” (Nm.23.19). Entretanto, em Gênesis lemos que Deus se arrependeu. Como compreender o arrependimento de Deus (Gn.6) e o fato que Ele não se arrepende (Nm23.19?) na visão do mesmo autor?

Responder a essa pergunta tem sido tarefa de todos os estudantes de Teologia de toda a era cristã, e muitas propostas tem sido oferecidas. Em nosso estudo iremos responder a essa perguntas em três estágios: (1) Definindo Imutabilidade; (2) Entendendo a idéia de arrependimento; (3) Apresentando nossa visão sobre o assunto no relato de Gênesis.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Onde Jesus esteve entre os 13 e 30 anos?

Por Augustus Nicodemus

A revista Aventuras na História da Editora Abril publicou uma matéria onde requenta a velha teoria de que Jesus, dos 13 aos 30 anos, viveu em países estrangeiros aprendendo mágica, filosofia e alquimia, antes de se apresentar em Israel como o esperado Messias dos judeus. Vários evangelhos apócrifos são mencionados como fonte para esta especulação.
A matéria é entediante, além de revelar a mais completa ignorância dos estudos bíblicos e arqueológicos relacionados com a vida de Jesus Cristo. É igual às outras publicações sensacionalistas de fim de ano, que se aproveitam do Natal todo ano para interessar os curiosos e ignorantes tecendo teorias absurdas sobre a vida de Jesus.
A razão pela qual os Evangelhos não nos dizem nada sobre Jesus dos 13 aos 30 anos é por que os Evangelhos não são biografias no sentido moderno do termo, onde se conta toda a história da vida do biografado, desde seu nascimento até a sua morte, dando detalhes da sua infância, adolescência, mocidade, vida adulta e velhice. Os Evangelhos, como o nome já diz, foram escritos para evangelizar, isto é, para anunciar as boas novas da salvação mediante a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Portanto, o que da vida de Jesus interessa aos Evangelhos é seu nascimento sobrenatural, para estabelecer de saída a sua divindade, seu ministério público a partir dos 30 anos, quando fez sinais e prodígios e ensinou às multidões, e sua morte e ressurreição que são a base da salvação que ele oferece. Não há qualquer interesse biográfico na adolescência e mocidade de Jesus, pois nesta época, viveu e cresceu como um rapaz normal.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Por que não aceito os evangelhos apócrifos?

Por Augustus Nicodemus

Vamos iniciar perguntando o que é um “evangelho”. O termo é a tradução da palavra grega euaggelion, “boas novas”, usada a princípio para se referir ao conteúdo da mensagem de Jesus Cristo e dos seus apóstolos. Posteriormente, a palavra veio se referir a um gênero literário específico que nasceu com o Cristianismo no séc. I. Lembremos que o Cristianismo, em termos culturais, ocasionou o surgimento, não somente de novas músicas, mas também de gêneros literários como epístolas e evangelhos.

Esse novo gênero literário tinha algumas características distintas. Incluía obras escritas entre o séc. I e o séc. IV por autores cristãos que giravam em torno da pessoa de Cristo, sua obra e seus ensinamentos. Essas obras reivindicam autoria apostólica ou de alguma outra personagem conhecida da tradição cristã. Reivindicavam também que seu conteúdo remontava ao próprio Jesus.

Existem centenas de “evangelhos” conhecidos. Alguns são apenas mencionados na literatura dos Pais da Igreja e deles não temos qualquer amostra do conteúdo. Outros sobreviveram em fragmentos ou reproduzidos em parte em outras obras, como, por exemplo:
  • Evangelho dos Hebreus
  • Evangelho dos Ebionitas (ou dos Doze Apóstolos)
  • Evangelho dos Egípcios
  • Evangelho Desconhecido
  • Evangelho de Pedro, para mencionar alguns.
Já outros, sobreviveram em cópias completas ou quase, como:
  • Os Evangelhos canônicos de Mateus, de Marcos, Lucas e de João,
  • Evangelho de Tomé
  • Evangelho de Judas
  • Evangelho de Nicodemus
  • Proto-Evangelho de Tiago
  • Evangelho de Tomé o Israelita
  • Livro da Infância do Salvador
  • História de José, o Carpinteiro
  • Evangelho Árabe da Infância
  • História de José e Asenate
  • Evangelho Pseudo-Mateus da Infância
  • Descida de Cristo ao Inferno
  • Evangelho de Bartolomeu
  • Evangelho de Valentino, entre outros.
Esses evangelhos são tradicionalmente classificados em canônicos e apócrifos.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Uma apologética para a apologética

O cristianismo está sob ataque hoje, e deve ser defendido. Há ataques internos, de cultos, seitas e heresias. E há ataques externos, por ateus, céticos e outras religiões. A disciplina que lida com uma defesa racional da fé cristã é chamada de apologética. Ela vem da palavra grega apologia (cf. 1 Pedro 3:15), que significa dar uma razão ou defesa.

I. As objeções à defesa da Fé: Bíblicas e extrabíblicas

Muitas objeções têm sido oferecidas contra fazer apologética. Alguns tentam oferecer uma justificação bíblica. Outros são baseados no raciocínio extrabíblico. Primeiro, vamos dar uma olhada nas que se baseiam em textos bíblicos.

A. Objeções à Apologética de dentro da Bíblia

1. A Bíblia não precisa ser defendida

Uma objeção para a apologética feita muitas vezes é a afirmação de que a Bíblia não precisa ser defendida, simplesmente precisa ser exposta. Hebreus 4:12 é frequentemente citado como evidência: “A Palavra de Deus é viva e poderosa…” (NVI). Diz-se que a Bíblia é como um leão; não precisa ser defendida, mas simplesmente solta. Um leão pode se defender. Várias coisas devem ser notadas como resposta a isso.

Em primeiro lugar, isso nos leva a perguntar se a Bíblia é ou não a Palavra de Deus. É claro, a Palavra de Deus é suprema, e fala por si mesma. Mas, como sabemos que a Bíblia é a Palavra de Deus, e não o Alcorão, o Livro de Mórmon, ou algum outro livro? É preciso apelar para a evidência para determinar quais dos muitos livros em conflito realmente é a Palavra de Deus.

Em segundo lugar, nenhum cristão aceitaria sem questionar se um muçulmano declarasse “o Alcorão é vivo e poderoso e mais penetrante que uma espada de dois gumes…”. Nós exigiríamos evidências. Da mesma forma, nenhum não-cristão deve aceitar a nossa alegação sem provas.

Em terceiro lugar, a analogia do leão é enganosa. O rugido de um leão fala com autoridade apenas porque sabemos, a partir de um conhecimento prévio, o que um leão pode fazer. Sem os contos admiráveis sobre a ferocidade de um leão, seu rugido não teria o mesmo efeito de autoridade sobre nós. Da mesma forma, sem evidência para estabelecer o crédito à autoridade, não há nenhuma boa razão para se aceitar essa autoridade.

2. Jesus se recusou a fazer sinais para homens maus

Alguns argumentam que Jesus repreendeu as pessoas que procuravam por sinais. Por isso, devemos estar contentes simplesmente com acreditar sem evidências. Na verdade, Jesus em uma ocasião repreendeu buscadores de sinais. Ele disse: “Uma geração má e adúltera pede um milagre!” (Mateus 12:39 cf. Lucas 16:31). No entanto, isso não significa que Jesus não queria que as pessoas olhassem para a evidência antes de acreditarem, por muitas razões:

Em primeiro lugar, nesta mesma passagem, Jesus ofereceu o milagre da Sua ressurreição como um sinal de quem Ele era, dizendo: “Mas nenhum lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas” (Mateus 12:39-40). Da mesma forma, Paulo deu muitas evidências para a ressurreição (em 1 Coríntios 15). E Lucas fala de “muitas provas incontestáveis” (Atos 1:3) da ressurreição.

Em segundo lugar, quando João Batista perguntou se Ele era o Cristo, Jesus ofereceu milagres como prova, dizendo: “Ide e anunciai a João o que vedes e ouvis: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e as boas novas são anunciadas aos pobres” (Mt 11:5). Ao responder aos escribas, Ele disse: “‘Mas, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados.’ Ele disse ao paralítico: ‘Eu te digo, levanta-te, toma o teu leito e vai para casa’” (Mc 2:10-11). Nicodemos disse a Jesus: “Rabi, sabemos que és um Mestre vindo da parte de Deus. Pois ninguém poderia realizar os sinais miraculosos que estás fazendo, se Deus não fosse com ele” (João 3:2).

Em terceiro lugar, Jesus se opunha à busca de sinais e a entreter as pessoas através de milagres. De fato, Ele se recusou a realizar um milagre para satisfazer a curiosidade do rei Herodes (Lc 23:8). Em outras ocasiões, Ele não fez milagres por causa da sua incredulidade (Mt 13:58), não desejando “lançar pérolas aos porcos”. O propósito dos milagres de Jesus foi apologético, ou seja, o de confirmar a sua mensagem (cf. Êx 4:1;. Jo 3:2;. Hb 2:3-4). Ele fez isso em grande abundância, pois “Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus fez entre vocês por intermédio dele…” (Atos 2:22).