segunda-feira, 30 de julho de 2012

O destino eterno de Deus: com quem Deus vai ficar no final?

Por Paulo Brabo
Considerações sobre o Calvinismo e o Teísmo Aberto.

Inteiramente irrelevante para o resto do mundo, desenrola-se nos nossos dias um acirrado embate teológico que em nada fica devendo às elucubrações do escolasticismo medieval. O prêmio almejado por ambos os lados da discussão é o status de ortodoxia – a consagração de crença correta, oficial, credenciada, inquestionável e inquestionada. Em jogo está quem tem direito a usar a marca do verdadeiro cristianismo©. Com quem Deus vai ficar no final?

CALVINISMO: Em defesa da soberania de Deus

Deste lado, pesando 400 anos e com treinadores peso-pesado como Martinho Lutero e Calvino, está o calvinismo, sistema teológico característico das igrejas de tradição reformada. Os títulos já dizem tudo sobre a sua origem histórica: o calvinismo ostenta ser extensão fiel da postura teológica geral da reforma protestante do século XVI – refletindo em especial o pensamento de João Calvino e de seus discípulos imediatos.

No que interessa para a nossa discussão é preciso dizer que o calvinismo enfatiza tanto a tremenda soberania de Deus (Deus faz o que quer) quanto a tremenda incompetência do homem (o homem é incapaz de fazer por si mesmo qualquer coisa de bom).

O calvinista crê encontrar na Bíblia que Deus é soberano, e entende com isso que o livre-arbítrio humano é coisa que não existe. O homem, atolado até o pescoço na fossa do pecado, não tem qualquer inclinação, capacidade ou independência moral para desejar a Deus, quanto menos o cacife para escolher tomar o lado divino a fim de encontrar a salvação. Os que são salvos são salvos por iniciativa inconcidional de Deus tomada na eternidade antes do tempo começar a se desenrolar – ou seja, não com base em qualquer mérito, disposição em mudar ou manifestação de fé do indivíduo favorecido.

A morte sacrificial de Cristo não beneficia toda a humanidade, mas apenas essa porcentagem de eleitos que Deus escolheu em sua misericórdia e sem precisar dar explicações a ninguém. Essa graça concedida em favor dos eleitos é “irresistível” – isto é, do mesmo modo que não fez nada para merecê-la, o predestinado não tem liberdade para rejeitá-la e vai acabar cedendo a ela na hora certa, e para sempre. Os outros, predestinados à destruição, não tem por um lado espaço de manobra para mudarem o seu próprio destino, por outro direito a reclamarem dele.

Não é sem fundamento bíblico que o calvinismo deita essas propostas aparentemente paralisantes e deterministas. O apóstolo Paulo, em particular, parece fornecer ampla credencial para cada um dos pontos defendidos pelos calvinistas. Para citar uns poucos exemplos:

Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou (Romanos 8:29-30).

...que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos (2 Timóteo 1:9).

Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia (Romanos 9:16).

O conceito de predestinação parece também ter feito parte integrante do discurso do próprio Jesus e de outras tradições apostólicas:

Se o Senhor não abreviasse aqueles dias, ninguém se salvaria; mas ele, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou aqueles dias (Marcos 13:20).

Os gentios, ouvindo isto, alegravam-se e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna (Atos 13:48).

Ancorado nessa qualidade de testemunhos o calvinismo sustenta que a soberania divina deve ser entendida em termos de um controle firme de Deus sobre as rédeas da história. A liberdade de escolha de que o homem crê desfrutar é ilusória, visto que o desenrolar do enredo, em especial no que diz respeito a baixas e resgates individuais, já foi definido por Deus antes das câmeras começarem a rodar.

As particularidades do sistema calvinista refletem com exatidão as condições ideológicas do mundo em que nasceu. A reforma protestante levantou-se em grande parte como reação aos abusos teológicos, sociais e políticos da igreja católica do seu tempo. Os reformadores mostravam particular indignação para com a obsessão circular da igreja católica com as “boas obras”, obras alegadamente meritórias e/ou sacrificiais através dos quais o adorador podia garantir – e muitas vezes comprar – a sua salvação. Os reformadores criam, e com acerto, que o Deus da Bíblia não admite barganhas; ele exige performance mas não aceita subornos e não reconhece méritos, promovendo a reconciliação exclusivamente através de sua própria postura cavalheiresca, a que os autores do Novo Testamento dão o nome de graça.

O calvinismo é o resultado de se levar a idéia de predestinação às suas últimas conseqüências lógicas. Se Deus predestinou, a graça é irresistível. Se Deus predestinou, não foi para todos que Jesus morreu. Se Deus predestinou, a liberdade humana é uma ilusão e uma farsa. Se Deus predestinou, ele conhece o futuro por inteiro e a história está pronta – apenas não terminou de ser filmada.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Quatro Fontes de Encorajamento Cristão

Tim Challies chama nossa atenção para a essência de um aspecto muito importante no discipulado e no aconselhamento: o encorajamento.
Quando você se depara com a palavra encorajar nas Escrituras, ela traz o sentido defortalecer, normalmente no que diz respeito ao fortalecimento da determinação de uma pessoa para que ela continue a seguir o Senhor. Ao entender esse significado, você se dá conta de que todo cristão precisa de encorajamento contínuo ao longo da vida cristã. É útil olhar para as fontes de encorajamento que a Bíblia menciona. Aqui estão quatro delas, extraídas do Novo Testamento.
Cristo nos encoraja
Se por estarmos em Cristo nós temos alguma motivação, alguma exortação de amor, alguma comunhão no Espírito, alguma profunda afeição e compaixão, completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude. (Filipenses 2.1-2)
O Antigo Testamento nos encoraja
Pois tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar, de forma que, por meio da perseverança e do bom ânimo procedentes das Escrituras, mantenhamos a nossa esperança.  (Romanos 15.4)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Disciplina da pureza


“A paixão é como o fogo: útil para várias coisas e perigosa apenas numa situação – uso em excesso”.
Christian Nestell Bovee
Basta ligar a TV por alguns instantes para sentir o calor da sensualidade que nos oprime nos dias atuais. A maior parte desta opressão é declarada. Um inocente passeio pelos canais no meio do dia invariavelmente revela pelo menos um casal agarrado sob os lençóis com muita sensualidade.
Mas o calor tornou-se especialmente ardiloso principalmente se o objetivo é vender. A câmera dá um close, em preto e branco, em um rosto feminino forte e lascivo, sobre o qual é colocada uma imagem de uma chama que, depois, se transforma num brilhante vidro do perfume Obsession, da Calvin Klein, com o rosto revelando seu desejo. O vapor grudento da sensualidade penetra em tudo em nosso mundo!
E a igreja não escapou. Recentemente a revista Leadership (Liderança) encomendou uma pesquisa a milhares de pastores. Os pastores mostraram que 12 por cento deles havia cometido adultério durante seu ministério – um em cada oito pastores! – 23 por cento disse que havia feito algo considerado sexualmente impróprio.
A revista Christianity Today entrevistou milhares de seus assinantes que não eram pastores e descobriu que o quadro praticamente dobra, onde 23 por cento dos entrevistados disse que manteve relações extraconjugais e 45 por cento indicou que fez alguma coisa inadequada na área sexual.
Um em cada quatro cristãos é infiel e praticamente a metade tem-se comportado de modo reprovável! Isto é chocante, em especial quando pensamos que os leitores de Christianity Today provavelmente são líderes eclesiásticos bem-formados, anciãos, diáconos, superintendentes e professores de Escola Dominical. Se isto é verdadeiro para a liderança, o que se dirá das estatísticas levantadas entre a membresia? Só Deus sabe!
Isto nos leva a uma conclusão inevitável: a igreja evangélica contemporânea, de um modo geral, é semelhante à de Corinto até as entranhas. Está afundada até as orelhas na lama de sua sensualidade, não importando se:
- a igreja perdeu seu apego à santidade;
- ela é lenta em disciplinar seus membros;
- ela é considerada dispensável pelo mundo;
- muitos de seus filhos não lhe dão importância;
- ela perdeu seu poder em muitas áreas e que, por isso, o islamismo e muitas outras falsas religiões estejam crescendo.
A sensualidade é de longe o maior obstáculo à piedade entre os homens de hoje, avançando muito rapidamente sobre a igreja. Piedade e sensualidade são mutuamente exclusivas, de modo que aqueles que estão amarrados pela sensualidade nunca chegarão à piedade enquanto se mantiverem assim. Se precisamos nos “exercitar (…) pessoalmente na piedade” (1Timóteo 4:7), devemos iniciar com a disciplina da pureza. Deve haver algum calor santo!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Quatro exemplos de humildade, de interesse pelos outros (Fp 2.3-4)

Por T. Zambelli


O capítulo 2 de Filipenses nos ensina a irmos além de nossos interesses, de buscarmos os interesses de nossos próximos (dos outros) - v.4. Para isso, Paulo usa uma palavra chave no v.3, que destaco:

Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos.