terça-feira, 29 de maio de 2012

Anatomia da Sabedoria - Provérbios

Por Fernando Leite
Série de doze mensagens pregada na Igreja Batista Cidade Universitária há algum tempo. Os arquivos de áudio foram convertidos para MP3. Abaixo estão os áudios de cada mensagem.


1. Quem busca acha (Provérbios 1:1-7)


2. As fontes da vida (Provérbios 4:20-23)


3. Olhe para frente (Provérbios 4:25)


4. Preste Atenção (Provérbios 28.9)


5. Poderosa Lí­ngua (Provérbios 18.21)


6. O Fungar do Nariz (Provérbios 30.33)
 

7. Como Parecer Melhor (Provérbios 3.3,21,22)


8. As Mãos e o Seu Salário (Provérbios 12.14)


9. Dinheiro na Mão (Provérbios 10.22)


10. Homenagem ao Senhor (Provérbios 3.9-10)


11. Um Caso Possível (Provérbios 5.15-20)


12. Pé na Estrada (Provérbios 4.26-27)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Heresia do Egocentrismo


Por John MacArthur

O egocentrismo não tem lugar na igreja. Nem devíamos dizer isso, mas, desde o alvorecer da era apostólica até hoje, o amor próprio em todas as suas formas tem prejudicado incessantemente a comunhão dos santos. Um exemplo clássico e antigo de egocentrismo fora de controle é visto no caso de Diótrefes. Ele é mencionado em 3 João 9-10, onde o apóstolo diz: "Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida. Por isso, se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras maliciosas. E, não satisfeito com estas coisas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja".

Diótrefes anelava ser o preeminente em sua congregação (talvez até mais do que isso). Portanto, ele via qualquer outra pessoa que tinha autoridade de ensino – incluindo o apóstolo amado – como uma ameaça ao seu poder. João havia escrito uma carta de instrução e encorajamento à igreja, mas, por causa do desejo de Diótrefes por glória pessoal, ele rejeitou o que o apóstolo tinha a dizer. Evidentemente, ele reteve da igreja a carta de João. Parece que ele manteve em segredo a própria existência da carta. Talvez ele a destruiu. Por isso, João escreveu sua terceira epístola inspirada para, em parte, falar a Gaio sobre a existência da carta anterior.

Na verdade, o egoísmo de Diótrefes o tornou culpado do mais pernicioso tipo de heresia: ele rejeitou ativamente e se opôs à doutrina apostólica. Por isso, João condenou Diótrefes em quatro atitudes: ele rejeitou o ensino apostólico; fez acusações injustas contra um apóstolo; foi inóspito para com os irmãos e excluiu aqueles que não concordavam com seu desafio a autoridade de João. Em todo sentido imaginável, Diótrefes era culpado da mais obscura heresia, e todos os seus erros eram frutos de egocentrismo.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Livro: "Uma Ortodoxia Generosa" - Resenha

Por Claudia Kriguer
Queridas amigas, este texto é um pouco diferente dos artigos normais. Ele é o resultado da leitura comparada de dois autores sobre o mesmo tema: o que é o ponto central do verdadeiro Evangelho. O que tornou tudo interessante é que cem anos separam o emergente e pós-moderno Brian McLaren do pensador inglês G. K. Chesterton. Mas, como afirmou oQohelet, “Nada há de novo debaixo do sol!”. Leia com atenção e observe quantos temas atuais recebem uma abordagem sutilmente distorcida em nome do amor cristão. Uma Ortodoxia Generosa se tornou best sellercristão da noite para o dia, tal como o aclamado A Cabana. Por isso, convido-as a que exerçam seu discernimento, concordem, discordem, mas não deixem de avaliar tudo à luz das Escrituras, como certamente faria a nossa querida “mestra” Priscila. Bom “divertimento”.
Resenha de Uma Ortodoxia Generosa:  a Igreja em tempos de pós-modernidade.
Brian McLaren. Brasília: Editora Palavra, 2007.  328 p.

Este foi um dos livros mais difíceis de ler. Não que apresente linguagem complicada ou que tenha sido mal escrito. Pelo contrário, McLaren se provou um autor de qualidade superior, apresentando um texto bem amarrado e que provoca curiosidade com respeito às suas afirmações e conclusões. Ele faz jus à sua profissão pregressa de professor universitário de literatura, a qual, em minha modesta opinião, nunca deveria ter deixado em razão do pastorado.
McLaren é escritor articulado e inteligente; é bom observador e trata de forma analítica as questões abordadas. Infelizmente, sua prédica é grandemente prejudicada por suas premissas. O autor é consistentemente crítico com tudo o que possa representar o status quo do cristianismo evangélico conservador e é sistematicamente aberto a tudo que implique uma reação contrária ao establishmentcristão ortodoxo. Em suma, ele pode ser considerado um protótipo do pensamento emergente dentro dos arraiais evangélicos. O que torna o livro difícil de ler diz respeito a uns poucos aspectos nos quais a sua crítica aos cristãos conservadores se faz justa e à massiva quantidade de acusações dirigidas contra estes, que se provam insustentáveis ou injustas. A certa altura, alguns trechos chegam a parecer lamúrias de uma tia velha e amargurada com a vida (ver Introdução).

terça-feira, 8 de maio de 2012

Testemunhas de Jeová e o fim do mundo que não aconteceu em 1975

Por Marcelo Berti
Título original: 1975: quando o fim não veio
“É verdade que houve aqueles que em tempo passados anunciaram o fim do mundo, até mesmo anunciando uma data específica. Alguns ajuntaram grupos de pessoas a eles e fugiram para as colinas ou se retiraram para suas casas, aguardando o fim. Todavia, nada aconteceu. O fim não veio. Eram culpados per profetizar falsamente. Por que? O que estava faltando? Faltava a plena medida de evidência exigida em cumprimento da profecia bíblica. O que tais pessoas não tinham eram as verdades de Deus e a evidência de que Ele as guiava e usava” – Despertai de 22 de Abril de 1969, pp23


Não é novidade para ninguém que as testemunhas de Jeová são um grupo religioso no mínimo interessante. Não apenas pelo irritante hábito de bater na sua porta para falar sobre o que você não quer escutar ou para oferecer uma literatura que você não quer ler, mas principalmente pelo fato se se considerarem a única religião verdadeira.

Não precisa ser um “perito” (palavra que gostam de usar em suas publicações) para identificar esse fato, observe:
“Nunca se esqueça de que apenas a organização de Deus é que sobreviverá ao fim deste sistema moribundo. Portanto, aja sabiamente e faça planos para a vida eterna por construir seu futuro em harmonia com a organização de Jeová.” – A Sentinela, 15 de fevereiro de 1985, pp. 31.

“Apenas as Testemunhas de Jeová, os do restante ungido e os da Grande Multidão, qual organização unida sob a proteção do Organizador Supremo, têm esperança bíblica de sobreviver ao iminente fim deste sistema condenado, dominado por Satanás, o diabo.” – A Sentinela de 1 de Novembro de 1989, pp. 19.

Entretanto, acredito que uma religião que se promova como a única verdadeira deveria apresentar alguma diligência nas declarações públicas que fazem, especialmente naquelas que visivelmente falsas. É por isso que nesse artigo vamos julgar se as publicações da Sociedade Torre da Vigia fazem jus às duas medidas de comparação que oferecemos nesse post, a saber (1) a validade de suas profecias e a (2) afirmação de que são a única religião verdadeira.

A intenção é verificar se a STV pode ser culpada de profetizar falsamente o fim do mundo de acordo com o padrão que ela mesma estabelece e se uma religião que profetiza falsamente pode ser chamada de única verdadeira.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Argumento Ontológico – William Lane Craig

O último argumento que eu gostaria de discutir é o famoso argumento ontológico, originalmente descoberto por Santo Anselmo. Este argumento foi reformulado e defendido por Alvin Plantinga, Robert Maydole, Brian Leftow e outros. [47] Eu vou apresentar a versão do argumento como elaborada por Plantinga, um dos seus mais respeitados proponentes contemporâneos.

A versão de Plantinga é formulada em termos semânticos de mundos possíveis. Para aqueles que não são familiarizados com a semântica dos mundos possíveis, permitam-me explicar que por “mundo possível” eu não quero quiser um planeta ou até mesmo um universo, mas sim uma completa descrição da realidade, ou uma forma como a realidade poderia ser. Talvez a melhor maneira de pensar sobre um mundo possível seja pela conjunção p & q & r & s…, cujas conjunções individuais são as proposições p, q, r, s…Um mundo possível é uma conjunção que compreende cada proposição ou sua contradição, de forma que ela produza uma descrição completa da realidade – nada é deixado para trás em tal descrição. Ao negar diferentes conjunções em uma descrição completa nós chegamos a diferentes mundos possíveis.

W1: p & q & r & s…
W2: p & não-q & r & não-s…
W3: not-p & não-q & r & s…
W4: p & q & não-r & s…

Apenas uma destas descrições será composta inteiramente por proposições verdadeiras e será, então, a maneira como a realidade verdadeira se apresenta, isto é, o mundo real.

Uma vez que nós estamos falando sobre mundos possíveis, as várias conjunções que compreendem um mundo possível devem ser capazes de ser verdade tanto individualmente como juntas. Por exemplo, a proposição “O Primeiro Ministro é um número primo” não é nem possivelmente verdadeira, porque números são objetos abstratos que não podem ser concebidos em identidade com um objeto concreto como o Primeiro Ministro. Portanto, qualquer mundo possível não pode ter esta proposição como uma de suas conjunções; sua negação, entretanto, será uma conjunção de qualquer mundo possível. Esta proposição é necessariamente falsa, isto é, ela é falsa em qualquer mundo possível. Em contraste, a proposição “George McGovern é o presidente dos Estados Unidos” é falsa no mundo real, mas poderia ser verdadeira, então ela é uma conjunção presente em alguns mundos possíveis. Dizer que George McGovern é o presidente dos Estados Unidos em algum mundo possível é dizer que existe uma completa descrição da realidade tendo esta proposição em questão como uma de suas conjunções. De forma similar, dizer que Deus existe em algum mundo possível é dizer que a proposição “Deus existe” é verdadeira em alguma descrição completa da realidade.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Argumento Teleológico – William Lane Craig

Chegamos agora ao argumento teleológico, ou o argumento para o design. Embora os defensores do chamado movimento Design Inteligente têm continuado a tradição de focar em exemplos de design em sistemas biológicos, o ponto de corte da discussão contemporânea se concentra no extraordinário ajuste fino do cosmo para a existência de vida.

Antes de discutirmos este argumento, é importante entender que por “finamente ajustado”, ninguém não está querendo dizer “projetado” (do contrário o argumento seria obviamente circular).  Na verdade, durante os últimos cinquenta anos os cientistas têm descoberto que a existência de vida inteligente depende de um equilíbrio complexo e delicado das condições iniciais simplesmente dadas no próprio Big Bang. Este equilíbrio é conhecido como “ajuste fino” do universo.

O ajuste fino é de dois tipos. Primeiro, quando as leis da natureza são expressas como equações matemáticas você encontrará nelas certas constantes, como a constante que representa a força da gravidade. Estas constantes não são determinadas pelas leis da natureza. As leis da natureza são consistentes com uma ampla gama de valores para estas constantes. Segundo, em adição a estas constantes, existem certas quantidades arbitrárias colocadas como condições iniciais sobre as quais as leis da natureza operam, por exemplo, a quantidade de entropia ou o equilíbrio entre matéria e antimatéria no universo. Agora, todas estas constantes e quantidades arbitrárias se encaixam em uma extraordinária faixa estreita de valores que permitem a existência de vida. Se estas constantes ou quantidades fossem alteradas em menos do que a largura de um fio de cabelo, o equilíbrio que permite a existência de vida seria destruído e nenhum organismo de qualquer espécie poderia existir. [1]

Por exemplo, uma mudança no vigor da força atômica de uma parte em 10100 teria impedido a existência de vida no universo. A constante cosmológica que conduz a inflação do universo e que é responsável pela recente descoberta aceleração da expansão do universo é inexplicavelmente ajustada para cerca de uma parte em 10120. Roger Penrose da Universidade de Oxford calculou que as excentricidades da condição de baixa entropia do Big Bang serem por mero acaso são da ordem de uma parte em 1010(123). Penrose comenta, “Eu não consigo me lembrar de qualquer outra coisa na física cuja exatidão se aproxime, mesmo que remotamente, de uma parte em 1010(123) ”[2]. E não se trata de apenas uma constante ou quantidade arbitrária ser requintadamente ajustada para dado valor; as relações das constantes e quantidades umas com as outras precisam de igual modo ser finamente ajustadas. Assim, improbabilidade é multiplicada por improbabilidade até que nossas mentes se percam em números tão incompreensíveis.

Assim, quando os cientistas dizem que o universo é “finamente ajustado” para a existência de vida, eles não querem dizer que ele foi “projetado”; eles querem dizer que pequenos desvios dos valores reais das constantes e quantidades arbitrárias da natureza proibiriam o universo de abrigar vida ou, alternativamente, que a série de valores que permitem vida ao universo é incompreensívelmente estreita em comparação com a quantidade de valores que poderiam ser assumidos. O próprio Dawkins, citando o trabalho do astrônomo real Sir Martin Rees, reconhece que o universo exibe este extraordinário ajuste fino.

Então, aqui está uma formulação simples do argumento teleológico baseado no ajuste fino do universo:
1. O ajuste fino do universo se deve a necessidade física, acaso ou design.
2. Não se deve a necessidade física ou acaso.
3. Logo, o ajuste se deve a design.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Argumento Cosmológico – William Lane Craig


“A primeira questão que certamente deve ser perguntada”, escreveu G.W.F. Leibiniz, é “Por que existe algo em vez de nada?” 1. Esta questão parece ter uma força existencial profunda, que tem sido percebida por alguns dos maiores pensadores da humanidade. De acordo com Aristóteles, a filosofia começa com um senso de assombro sobre o mundo, e a mais profunda questão que um homem pode fazer relaciona-se com a origem do universo2. Em sua biografia de Ludwig Wittgenstein, Norman Malcolm relata que Wittgenstein disse que algumas vezes ele teve certa experiência que poderia ser mais bem descrita dizendo-se que “quando a tenho, eu fico assombrado com a existência do mundo. Então sou inclinado a usar frases como ‘Quão extraordinário é que algo deva existir’” 3 Similarmente, um filósofo contemporâneo observa, “… Minha mente muitas vezes revira-se diante do imenso significado que esta questão tem para mim. Que algo exista de alguma forma parece-me um assunto para o mais profundo temor.” 4

Por que existe algo em vez de nada? Leibiniz respondeu esta questão argumentando que algo existe em vez de nada porque existe um ser necessário que carrega consigo sua razão para a existência e é a razão suficiente para a existência de todo ser contingente5.

Embora Leibiniz (seguido por certos filósofos contemporâneos) tenha considerado a inexistência de um ser necessário como logicamente impossível, uma explicação mais modesta da necessidade da existência chamada de “necessidade factual” foi fornecida por John Hick: um ser necessário é um ser eterno, não-causado, indestrutível e incorruptível6. Leibiniz, é claro, identificou o ser necessário como Deus. Seus críticos, entretanto, contestaram esta identificação, sustentando que o universo material poderia ele mesmo receber o status de um ser necessário. “Por que”, perguntou Hume, “não poderia o universo material ser o Ente necessário, de acordo com esta pretensa explicação de necessidade?”7. Tipicamente, esta tem sido precisamente a posição do ateu. Os ateus não se sentiram compelidos a abraçar a visão de que o universo veio a existir do nada sem nenhuma razão; ao invés disso, eles consideraram o universo mesmo como um tipo de ser factualmente necessário: o universo é eterno, não-causado, indestrutível e incorruptível. Como Russel claramente colocou, “…O universo está aí, e isto é tudo”8