Por John Piper
Christian Smith, professor de sociologia na Universidade de Notre Dame, escreveu, no livro Books and Culture, uma crítica sobre o novo fenômeno da “adultescência” - que é o prolongamento da juventude até a casa dos trinta anos. Quero relacionar esse fenômeno com a igreja. Mas antes segue um resumo do artigo de Smith, sobre que fenômeno é esse e como ele surgiu.
Definição
O que é “adultescência”?
Smith diz: “Adolescência” enquanto uma representação de um estágio de vida é uma invenção do século 20, criada em função das mudanças ocorridas pela educação em massa, leis sobre o trabalho infantil, urbanização, consumo em massa e mídia. Dessa maneira, um novo e importante estágio na vida, situado entre a adolescência e uma vida plenamente adulta, surgiu em nossa cultura nas últimas décadas – remodelando o significado do ser, da juventude, dos relacionamentos e dos comprometimentos da vida, assim como uma variedade de comportamentos e tendências entre os jovens.
O que resultou dessa nova situação tem recebido vários nomes como “adolescência tardia”, “adultescência” e “adultos emergentes”.
Causas
Um modo de descrever esse grupo é destacar a tendência em retardar a maturidade ou em permanecer com uma mentalidade imatura por mais tempo do que o esperado. Smith sugere as seguintes causas que contribuíram para a demora em alcançar a maturidade e a vida adulta responsável.
1. A primeira causa está no aumento da procura pelo ensino superior. As mudanças na economia Americana, o programa GI Bill1, e os subsídios governamentais para as universidades levaram, na segunda metade do século passado, a um aumento dramático na procura por cursos universitários pelos jovens formados no ensino médio. Mais recentemente, muitos sentem-se pressionados – por causa do sonho americano – a fazer outros cursos além da faculdade. Como resultado disso, uma grande parte da juventude americana não encerra os estudos para iniciar uma carreira aos 18 anos, mas estão prolongando a vida acadêmica até a casa dos vinte anos. E aqueles que almejam uma especialização – os que concentram o poder para moldar nossa cultura e sociedade – continuam estudando até a faixa dos trinta anos.
2. A segunda causa crucial para o aumento do número dos “adultescentes” é o atraso do casamento na sociedade americana nas últimas décadas. Entre 1950 e 2000, a idade média para o primeiro casamento era entre 20 a 25 anos para as mulheres. Para os homens da mesma época, a média era entre 22 e 27 anos. O aumento mais significativo dessa média aconteceu depois de 1970. Há 50 anos atrás a maioria dos jovens estavam ansiosos para sair do ensino médio, casar e sossegar, ter filhos e iniciar uma carreira longa. Mas hoje, especialmente os homens esperam pelo menos uma década entre a saída do ensino médio e o casamento, período em que exploram as muitas opções de vida oferecidas por uma liberdade sem precedentes.
3. A terceira transformação social que contribuiu para a maturidade tardia como uma fase distinta de vida, diz respeito a mudanças na economia americana e global. Esse cenário minou a estabilidade das longas carreiras, transformando-as em empregos inseguros e altamente rotativos que exigem novos treinamentos. A maioria dos jovens hoje sabe a importância de iniciar a vida profissional com diferentes habilidades, muita flexibilidade e capacidade de adaptação. Isso por si só já pressiona a juventude a aumentar a escolaridade, atrasar o casamento e a ter uma tendência psicológica discutível de maximizar as oportunidades e procrastinar compromissos.
4. Finalmente, e em parte como uma resposta a todas as mudanças acima, os pais da juventude atual, cientes dos recursos necessários ao sucesso, parecem estar cada vez mais desejosos de prolongar a ajuda e suporte financeiro aos filhos por mais tempo, até os trinta anos.