quinta-feira, 30 de junho de 2011

A relação de autoria entre 1João e o Quarto Evangelho

Por Marcelo Berti


Os livros de 1João e Hebreus são as únicas cartas do Novo Testamento que não tem seu autor descrito, ou seja, são anônimas. Por isso, não pouco esforço tem sido realizado para determinar com alto grau de certeza quem é o autor desses documentos.
No artigo que trata da autoria de 1João temos demonstrado que além das evidências externas favoráveis à autoria joanina dessa epístola, a relação entre ambos os documentos favorece a tese defendida desde a antiguidade do cristianismo: João é de fato o autor dessa carta.
Até onde se tem conhecimento, Irineu é o primeiro autor cristão à equivaler esses documentos cristãos, e abertamente atribuir ao mesmo autor. Em uma de suas declarações teológicas sobre Jesus Cristo, Irineu teria dito:
Essas palavras concordam com o que ele havia dito no evangelho: ‘O Verbo se fez carne e habitou entre nós’. Por isso, ele afirma em sua Epístola: ‘Todo o que confessa que Jesus é o Cristo é nascido de Deus’; conhecer a Jesus Cristo como o único e o mesmo a quem os portões do céu se abriram por ter assumido sobre si mesmo a carne, o que veio em carne na qual sofreu revelando assim a Glória de Deus” (Adversus Haereses III, 16.8)
Nessa citação de Irineu notamos que desde cedo na história da igreja a relação de autoria entre 1João e o Evangelho que leva seu nome já era assumida e desenvolvida. Entretanto, faz-se necessário verificar se tal elo é de fato verdadeiro ou apenas uma questão tradicional da igreja. Também é importante lembrar que autores cristãos, mais recentes na história vieram a rejeitar essa relação de autoria em função da descrição teológica da epístola ser tão distinta das encontradas no evangelho (ex. C.H. Dodd).
Por essa razão, vamos desenvolver nesse post o que entendemos ser um vibrante elo entre os dois documentos que atestam a similaridade teológica entre os dois documentos, levantando uma forte evidência de que ambos têm o mesmo autor. Essa similaridade se encontra nas declarações (1) da humanidade não regenerada; (2) no resgate soberano oferecido por Deus e (3) na relação da ação divina na prática da vida dos regenerados.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Três expectativas para um líder cristão em 1 e 2 Timóteo

Por T. Zambelli

Introdução

É inquestionável para qualquer genuíno cristão que Paulo, depois de nascer de novo, exerceu uma vida cristã com a qualidade de um exemplar filho de Deus. Ele mesmo disse a Timóteo: Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé (2Tm 4.7). Paulo é indubitavelmente alguém a quem devemos olhar e imitar (cf. 1Co 11.1), visto que seus esforços, desde a compreensão dada por Deus sobre Ele e sobre si, foi prosseguir para o alvo de seu chamado celestial (Fp 3.14) de ser um ministro entre os povos: ...fui designado pregador e apóstolo (digo-lhes a verdade, não minto), mestre da verdadeira fé aos gentios (1Tm 2.7).
Enquanto entre os homens, o exemplar Paulo, apóstolo do Senhor Jesus Cristo, marcou sua vida e a de outros de diversas formas. Aliás, ele ainda faz isso através de seus preservados e inspirados escritos para diversas igrejas e pessoas de sua época. Ele foi incontestavelmente um eminente modelo, um exímio mestre e um espetacular mentor.


terça-feira, 21 de junho de 2011

Riscos de uma superficialidade bíblica

Por T. Zambelli
Baseado no sermão "O risco da superficialidade teológica" por Carlos Osvaldo Pinto (04/07/2010 - IBCU).


Em 2008, depois de um artigo que li na revista ULTIMATO (mar/abril), fui incentivado a pesquisar um pouco mais sobre o que Deus deseja de Sua criatura quanto a sã doutrina. Naquele artigo, a autora enfatizava as palavras de Peter Meiderlin, teólogo luterano da cidade de Augsburg, na Alemanha. No término de um livrete, que descreve um sonho que ele teve, estão as palavras: "No essencial, unidade; no secundário, liberdade; e acima de tudo, o amor."

Tais palavras são sofisticadas, mas não creio serem verdadeiras. Refiro-me ao que a frase indica como essencial. Costumo dizer que essencial "é tudo aquilo que sem o qual não o é." Em outras palavras, é tudo aquilo que faz parte da essência da identidade de algo ou alguém. Você consegue imaginar um gato sem quatro patas? Uma tartaruga sem o casco? Uma casa sem um teto? Todos estes são elementos essenciais destes objetos. Não os imaginamos sem eles.

A UNIDADE sempre fez parte do desejo de Deus, mas sempre foi dependente da VERDADE. Israel tinha como base ser um povo sujeito ao único Deus e não havia como unir neste grupo aqueles que ainda gostariam de dizer e viver o contrário disso. O "hino" de Israel sempre foi claro: Ouça, ó Israel: O SENHOR, o nosso Deus, é o único SENHOR (Dt 6.4). A igreja igualmente deve viver numa unidade que reflete o nosso triúno Deus. O apóstolo Paulo orava por isso: O Deus que concede perseverança e ânimo dê-lhes um espírito de unidade, segundo Cristo Jesus, para que com um só coração e uma só voz vocês glorifiquem ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 15.5-6).

Para que a unidade seja genuína, para que o coração da igreja glorifique a Deus, é necessário conhecer o que Ele quer que sejamos, tenhamos, façamos, pensamos, etc. É necessário conhecê-lo e indubitavelmente, a melhor forma é através da Bíblia. Somente seremos capazes de nos unir, se o fundamento for a verdade. Ninguém conhecerá a verdade se não for através da Palavra de Deus.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Um esboço de Filipenses

Por Lucas Rangel
Postado por Marcelo Berti em Teologando

Recentemente visitando o blog Veritatis Verbum, organizado por Lucas Rangel, grande amigo de longa data, encontrei um post que muito me chamou a atenção: Um esboço da carta de Filipenses.


Contexto:
  • Autor: Paulo (1.1)
  • Local de Escrita: Roma (1.13;4.22)
  • Data: 61 a.D.
  • Destinatários: a Igreja em Filipos. Esta igreja fora fundada por Paulo na sua 2ª viagem Missionária sendo a primeira igreja européia (At 16). Filipos deve seu nome a Filipe da Macedônia, pai de Alexandre, o Grande. Sua posição entre Roma e a província da Ásia a privilegiava como importante rota de comércio. Era uma igreja gentílica.
Propósito:
Louvar a Deus pelo seu crescimento e encorajá-los à unidade, alegria e amor no serviço de Cristo e no serviço uns aos outros.
Mensagem:
Alegria e unidade no serviço a Cristo e uns aos outros. Os termos “alegria” e “alegrar-se” (chara, chairo) ocorrem 14 vezes.
Esboço:
  1. Saudação inicial: Paulo e Timóteo desejam a graça e a paz de Cristo aos líderes e demais crentes da igreja de Filipos (1.1-2)
  2. Sofrimento (1.3-30)
    1. Paulo se alegra com a colaboração e piedade dos filipenses, mesmo estando preso (1.3-11).
    2. Paulo se alegra em Cristo a despeito de seu sofrimento e estimula os filipenses a seguirem o seu exemplo (1.12-30).
      1. Paulo se alegra com a expansão do evangelho mesmo estando preso (1.12-18).
      2. Paulo se alegra pois sabe que Cristo será exaltado por sua libertação ou por seu martírio (1.19-26).
      3. Paulo exorta os filipenses a permanecerem unidos na luta pela fé, ainda que lhes sobrevenha sofrimentos como estava ocorrendo com o Apóstolo (1.27-30).
  3. Submissão (2.1-30)
    1. Paulo exorta os filipenses a completarem a sua alegria praticando a humildade como Cristo exemplificou (2.1-11).
    2. Paulo exorta os filipenses a continuarem cultivando a submissão a Deus por causa do exemplo de Cristo para se diferenciar do mundo (2.12-18).
    3. Paulo demonstra a submissão que ele espera dos filipenses nos exemplos de Timóteo e Epafrodito (2.19-30).
  4. Salvação (3.1-4.1)
    1. Paulo destaca a alegria de possuir a Salvação pela fé em contraste com a inutilidade dos valores dos judaizantes (3.1-11).
    2. Paulo afirma o caráter dinâmico e transformador da salvação em contraste com o perfeccionismo e a libertinagem (3.12-4.1).
  5. Santificação (4.2-20)
    1. Paulo ordena aos filipenses que vivam a santificação através da reconciliação, da amabilidade, da oração e do cuidado com as próprias mentes (4.2-9).
    2. Paulo agradece as ofertas enviadas pelos filipenses, ensinando-os, pelo exemplo, a viverem uma vida de simplicidade e desprendimento (4.10-20).
  6. Saudação final: Paulo se despede dos seus leitores com o cumprimento dos que estão com ele e clama pela graça de Deus sobre os seus leitores (4.21-23).
Fonte: Teologando