Os livros de 1João e Hebreus são as únicas cartas do Novo Testamento que não tem seu autor descrito, ou seja, são anônimas. Por isso, não pouco esforço tem sido realizado para determinar com alto grau de certeza quem é o autor desses documentos.
No artigo que trata da autoria de 1João temos demonstrado que além das evidências externas favoráveis à autoria joanina dessa epístola, a relação entre ambos os documentos favorece a tese defendida desde a antiguidade do cristianismo: João é de fato o autor dessa carta.
Até onde se tem conhecimento, Irineu é o primeiro autor cristão à equivaler esses documentos cristãos, e abertamente atribuir ao mesmo autor. Em uma de suas declarações teológicas sobre Jesus Cristo, Irineu teria dito:
“Essas palavras concordam com o que ele havia dito no evangelho: ‘O Verbo se fez carne e habitou entre nós’. Por isso, ele afirma em sua Epístola: ‘Todo o que confessa que Jesus é o Cristo é nascido de Deus’; conhecer a Jesus Cristo como o único e o mesmo a quem os portões do céu se abriram por ter assumido sobre si mesmo a carne, o que veio em carne na qual sofreu revelando assim a Glória de Deus” (Adversus Haereses III, 16.8)
Nessa citação de Irineu notamos que desde cedo na história da igreja a relação de autoria entre 1João e o Evangelho que leva seu nome já era assumida e desenvolvida. Entretanto, faz-se necessário verificar se tal elo é de fato verdadeiro ou apenas uma questão tradicional da igreja. Também é importante lembrar que autores cristãos, mais recentes na história vieram a rejeitar essa relação de autoria em função da descrição teológica da epístola ser tão distinta das encontradas no evangelho (ex. C.H. Dodd).
Por essa razão, vamos desenvolver nesse post o que entendemos ser um vibrante elo entre os dois documentos que atestam a similaridade teológica entre os dois documentos, levantando uma forte evidência de que ambos têm o mesmo autor. Essa similaridade se encontra nas declarações (1) da humanidade não regenerada; (2) no resgate soberano oferecido por Deus e (3) na relação da ação divina na prática da vida dos regenerados.

