segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A Armadura de César e a Panoplian de Deus

Por Ronaldo Lidório

1876. Don Capricio, bispo católico romano, ministrava a palavra inicial na convenção regional hospedada em Taranto, sul da Itália, quando afirmou que ‘A Missio Dei, pela sua supremacia bíblica, dispensa a Missão da Igreja. Somos apenas contempladores das maravilhas do Deus que faz ’. Apesar da ênfase deísta gostaria de, após 122 anos, contestar esta proposta eclesio-missiológica que apoderou-se etogenicamente da nossa consciência cristã pós moderna. A Igreja não é um membro contemplativo do Reino de Deus, excluída da Missio Dei e chamada a ser exangue, alienada, sem vida e sem paixão. Ela é parte do Projeto de Redenção escrito pelo Senhor para a salvação de todo aquele que crê.

Don Capricio entretanto não se distancia muito da errática tendência cristã atual que tenta incluir-se nas bênçãos do evangelho e auto excluir-se de sua prática: a anti bíblica vontade de ver a terra arada sem por as mãos no arado.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Para o cristão obediência é exigência (1Jo.2.3-11)

Por Marcelo Berti

Um dos fenômenos lingüísticos que acontece nesse trecho e se repete na carta é o uso dos verbos sabemos e conhecemos. Nesse texto vemos o uso do verbo grego “ginosko“, que significa algo similar a “vir a saber” ou “perceber“. Entretanto, eventualmente vemos o emprego do verbo grego “oida“, que pode ser traduzido como “sabemos como fato“. Entretanto o que nos chama a atenção é o uso da expressão “nisto sabemos” no verso 5. A expressão grega nessa sentença é “en toutö ginöskomen” e é usada cerca de 7x (2.5; 3.16, 19, 24; 4.2, 13; 5.2) nessa carta. Essa expressão é interessante, pois revela o conceito de convicção que marca essa epístola.

Outras expressões interessantes com quase a mesma configuração desta, encontrada outras vezes na epístola, que corroboram com a idéia da convicção cristã são: nisto se manifestou (en touto fanera; 3.10; cf. 4.9); nisto consiste (en touto estin; 4.10). Essas expressões são de uso majoritário joanino no NT, e em grande parte são vistos apenas em 1 João. Deve-se esse fato à ênfase do autor sobre a convicção cristã.

A semelhança do trecho anterior, esse texto parece ter sido escrito sob uma estrutura pré-formatada na mente de João. O texto inicia com mais um princípio anunciado: Obediência com evidência da comunhão com Deus (v.3). Desse princípio, duas aplicações negativas são apresentadas de com a fórmula “aquele que diz…” (v.4 e 9) e respondidas com do ponto de vista correto (v.5 e 10).

Após a primeira aplicação do princípio, temos o que temos chamado de observação sobre o mandamento de Deus. Uma possível contradição é apresentada nesse primeiro parêntesis (mandamento novo), mas explanada.
Após a segunda aplicação do princípio do verso 3, temos algumas orientações pastorais do Apóstolo aos seus leitores, observada pela estrutura “Filinhos – Pais – Jovens” em duas exortações para cada grupo em especial. Ao que tudo indica, a primeira expressão de identificação de público englobas as outras duas.

Todas essas aplicações visam expandir o entendimento do leitor sobre as implicações do conhecimento de Deus, que é luz e que exige que Seus filhos andem em conformidade como Seu caráter.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Como viver na presença de Deus?

Por Marcelo Berti

Eu gostaria de deixar três sugestões para que possamos estar neste mundo como representantes de Deus, sem nos associarmos à desgraça e à destruição que há nele, e sem participarmos da hostilidade que este mundo tem contra Deus.

1ª. Sugestão: Devemos aprender a experimentar solitude com Deus

O mundo em que vivemos é um mundo rápido e agitado. Se você tem tido chance, durante a semana, de pensar em fazer um devocional, talvez seu tempo seja tão escasso que o devocional fica para o fim do dia, quando você já está cansado e cheio de “coisas” na cabeça, sem condições para um tempo digno com Deus.
Esse mundo consome a nossa energia e a nossa disposição de estar diante de Deus. Se nós não aprendermos a gastar um tempo a sós com Deus, estaremos investindo em nosso fracasso espiritual. Talvez a sua vida seja um “tufão”, um “tornado” ou uma “tormenta”. Talvez você já não tenha mais tempo para nada, mas nós precisamos aprender a gastar tempo com Deus.

Charles Swindoll disse uma frase que me marcou muito nesses últimos dias em um livreto chamado “Intimidade com Deus”, que eu recomendo: “A transformação da alma acontece quando a serenidade toma o lugar da ansiedade”. Eu não sei qual é o melhor horário do seu dia para você desenvolver um tempo de intimidade com Deus. Para mim tem sido pela manhã, quando eu tenho todo o meu foco centrado em Deus, quando a mente ainda não está tão preocupada, quando a minha energia ainda está lá e eu posso descansar em Deus enquanto invisto em um tempo com Ele.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Um credo para fundamentalistas

Por Augustus Nicodemus

É só uma sugestão. Acho que posso sugerir, pois fui criado numa denominação fundamentalista e mesmo que não pertença a ela hoje, continuo a ser chamado assim. Portanto, segundo meus críticos, devo entender razoavelmente do assunto.

Creio na inerrância das Escrituras. Isto não quer dizer que eu creio que a Bíblia foi ditada mecanicamente por Deus, que ela caiu pronta do céu, que sua linguagem é científica, que não há erros nas cópias, que as traduções são inerrantes (especialmente a King James), que as cópias em manuscritos existentes são inerrantes, que a Bíblia é exaustiva e que tudo que está na Bíblia é fácil de entender e interpretar. Quer dizer que eu acredito que os manuscritos originais foram infalivelmente inspirados por Deus e que, em conseqüência, a Bíblia é verdadeira em tudo o que afirma. Creio que pelas cópias existentes podemos ter certeza quase plena do que havia nos originais e que muitas das partes polêmicas e difíceis de interpretar não afetam a compreensão correta do todo.

Creio na divindade de Jesus Cristo. Isso não quer dizer que eu negue sua plena humanidade, a realidade de suas tentações, a sua preocupação com os pobres e as questões sociais. Não quer dizer que eu negue que ele foi gente de verdade, capaz de rir, de chorar, que passou por perplexidades e que aprendeu muita coisa gradativamente como as outras pessoas. Quer dizer tão somente que creio que ele era verdadeiro Deus e verdadeiro homem, muito embora eu não tenha todas as respostas para as perguntas levantadas pela doutrina das suas duas naturezas. Creio que sua morte na cruz tem eficácia para perdoar meus pecados, visto que não era um mero homem morrendo por suas próprias faltas. Sua vida, suas ações e seus movimentos podem servir de modelo para mim, embora sua religião não possa, pois ele não era cristão, como eu já disse em outra postagem.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A Natureza das alianças divinas

Por Marcelo Berti

A intenção do presente capítulo é expor uma definição consistente de Alianças. Duas exigências são estipuladas: Que a definição seja, ao mesmo tempo (1) Abrangente o suficiente para abranger os dados da Escritura e (2) E singular quanto necessário para se aliar com a integridade da história bíblica.


A Aliança é um Pacto

“Nada está mais perto do conceito bíblico de aliança que a imagem de um laço inviolável” (pp.10). Segundo o autor o estudo léxico do termo “berit” tem se tornado inconclusivo para obtenção de um significado plausível para o sentido da palavra.

“Noth é a favor da sugestão de que ‘aliança’ deriva do acadiano birit, que se relaciona com a preposição hebraica “beit” “entre”. Ele elabora um processo de passo-multiplo pelo qual o termo atingiu independência adverbial por meio da frase “matar um asno de entre meio”, assumiu o sentido de “meditação” que conseqüentemente requerei a introdução de uma segunda preposição “entre” e, finalmente, evoluiu para a palavra normal ‘aliança’, que poderia ser usada com outros verbos além do verbo ‘cortar’ (entre)” (pp11 nota de rodapé).

“O uso contextual do termo nas escrituras indica, de maneira razoavelmente consistente, o conceito de ‘pacto’ ou ‘relacionamento’” (pp.10-11). A idéia de pacto deve ser somada a idéia de relacionamento, visto ser aplicada assim nas escrituras, onde ou o homem ou Deus faz alianças. O ponto alto da aliança é destacado por McCarthy, que diz nas palavras de Palmer Robertson: “…é a inter-relação pessoal de Deus com o seu povo que está no coração da aliança” (pp11 nota de roda pé).


A Aliança é um Pacto de Sangue

A idéia de Pacto de sangue expressa o caráter de absoluto compromisso entre Deus e o homem. Talvez seja desse ponto que se note a possibilidade de que a aliança implique em obrigação. Contudo, não podemos confundir significado e implicação. O significado permanece inalterado diante das aplicações que lhe cabem. Portanto, afirmar que o significado básico de berit seja um pacto, aliança somado ao conceito de relacionamento permanece mais consistente, apesar de suas implicações. Logo, absoluto compromisso e obrigação podem ser aplicados sem que a essência do significado de berit sejam perdidos.

“Em iniciando alianças, Deus jamais entra em relação casual ou informal com o homem. Em lugar disso, as implicações de seus pactos estendem-se às ultimas conseqüências de vida e morte” (pp.13). Para explicar esse conceito apresentado, Robertson discorre sobre a realidade do casos bíblicos em que está em cena o termo e o conceito de aliança. Como demonstra, com muitos outros detalhes, existe estreita ligação entre o conceito de “cortar” e estabelecer uma aliança, chegando a sugerir que signifique “cortar uma aliança”. De onde surge tal ligação? Robertson explica que “a medida que se faz uma aliança, animais são ‘cortados’ em cerimônia ritual. O exemplo mais claro deste procedimento nas escrituras acha-se em Gênesis 15, no tempo em que foi feita a aliança abraâmica” (pp.15). Dessa forma, podemos dizer que a aliança foi “feita” ou “cortada”. A explicação mais correta seria que a “divisão dos animais simboliza um ‘penhor de morte’, no momento de compromisso da aliança. Os animais desmembrados representam a maldição que o autor do pacto invoca sobre si mesmo caso viole o compromisso que fez” (pp.15) (cf. Jr.34.18-20). Por isso, diz-se que uma aliança é na verdade um pacto de sangue, um pacto de vida ou morte. Essa definição está em consonância com Hb.9.22.


A Aliança é um Pacto de Sangue Soberanamente Administrado

Em relação às Alianças estabelecidas entre Deus e o homem, não existe negócio nem barganha, mas, apenas o Senhor Soberano, que dita as exigências e termos de sua Aliança. A idéia de administração soberana e aliança parece muito própria, visto reconhecer o controle de Deus sobre suas Alianças e considera-lo com aquele que, não apenas estabelece, mas efetiva no tempo que quer, conforme Seu querer.

Fonte: Teologando
Artigo publicado pelo editor do Teologando a partir de sua reflexão ao livro Cristo dos Pactos de O. Palmer Robertson feito em 2005 para o curso Obra Redentora, ministrado pelo mesmo.